segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Construtivismo


PEAD EIXO VI

 Construtivismo       
       
Na década de 80 tivemos uma mobilização pela implementação do Construtivismo nas escolas. Inicia-se um movimento pela Alfabetização das crianças baseadas no construtivismo. Ocorreram investimentos em formação de professores, organização de grupos de estudos, financiamentos e pesquisas. Esta expressão transformou-se em sinônimo de eficácia na Alfabetização e no modelo de Educação a ser praticado por todos. Mas o que é Construtivismo? CORAZZA, 1999[1], define assim Construtivismo:

Construtivismo é o nome que genérico que temos dado, enquanto comunidade educativa escolar, a múltiplas e diferentes tentativas de aplicar nas salas de aula e nas escolas, as concepções desenvolvidas pela Epistemologia Genética de Piaget, revitalizadas pelas pesquisas básicas acerca da Alfabetização que Emília Ferreiro e equipe desenvolveram ao final da década de 70.


Ao fazer a análise critica da aplicação do Construtivismo na década de 80 , a mesma autora afirma que nas práticas pedagógicas revestidas com esta definição , encontrou-se um pouco de tudo. Nesta tentativa de aplicar o Construtivismo nas Escolas em algumas escolas a total ausência do Construtivismo pela falta de condições em que os professores realizam seu trabalho educativo ou pela negação e resistência em acolher esta ideia. Em outras escolas ocorreram aplicações apressadas e superficiais que transformaram este num Método pedagógico. Existiram também trabalhos sérios em que os professores tornaram-se também pesquisadores.

Faço esta retrospectiva, guiada pelas reflexões da autora, porque percebo no diálogo com colegas, que apesar de passadas muitas décadas do Início das pesquisas e formações, talvez pelo equívoco que ocorreu em muitas Escolas pela aplicação apressada, temos muitas dúvidas e questionamentos sobre a Teoria Cognitiva de Piaget.

Preciso atualizar, antes de prosseguir, o conceito de Construtivismo.  MARQUES  [2] afirma que  para Piaget, a gênese das estruturas cognitivas é explicada pela construção – daí construtivismo – mediante interação radical entre sujeito e objeto.   Conforme BECKER, (2001, p.72) citado por Marques: “Construtivismo não é uma prática, ou um método; não é uma técnica de ensino nem uma forma de aprendizagem; não é um projeto escolar; é, sim, uma teoria que permite (re)interpretar todas essas coisas”.  

A principal dúvida é qual é a função educacional do Construtivismo?

Para responder este questionamento encontramos em MACEDO, que para efeito de conceituação, faz uma comparação da Educação Construtivista com não Construtivista[3]. Ele cita , para um contraste entre construtivismo e não construtivismo. Disponibilizo aqui as citações de Macedo :

1. O construtivismo valoriza as ações, enquanto operações do sujeito que conhece.

Visões não construtivistas do conhecimento valorizam a transmissão, sendo, por isso mesmo, a linguagem seu instrumento mais primoroso.

2. O construtivismo produz conhecimento em uma perspectiva não formal ou, se se quiser, apenas formalizante.

Uma visão não construtivista do conhecimento é, necessariamente, formalizada. Se nele há considerações de conteúdo, este só interessa enquanto exemplo ou descrição de algo, que possa, cada vez mais, ser abstraído de seu contexto. Ou seja, a forma tende a se tornar independente do conteúdo

3. No construtivismo o conhecimento é concebido como um tornar-se antes de um ser.

A visão não construtivista do conhecimento é ontológica. Ou seja, parte-se de algo cuja existência já está minimamente constituída como objeto a ser conhecido. Daí sua pretensão descritiva ou explicativa do conhecimento como um “é”. Ora, no construtivismo o conhecimento só pode ter o estatuto da correspondência, da equivalência e não da identidade (Piaget, 1980).

4. Ao construtivismo o conhecimento só tem sentido enquanto uma teoria da ação (em sua perspectiva lógico-matemática) e não enquanto uma teoria da representação.

Como já consideramos no item 1, uma visão não construtivista termina por considerar o conhecimento como uma teoria da representação da realidade, não importa se boa ou má. Ora, na perspectiva construtivista um conhecimento sobre algo (seja num plano individual, ou coletivo, como se faz em História da Ciência, por exemplo), só é possível enquanto uma teoria da ação, da ação que produz este conhecimento

5. O construtivismo é produto de uma ação espontânea ou apenas desencadeada, mas nunca induzida.

Para encerrarmos estas considerações sobre “o que é construtivismo”, talvez seja bom analisarmos a mais difícil de suas exigências. Exigência esta que o separa definitivamente de um não construtivismo Só a ação espontânea do sujeito, ou apenas nele desencadeada, tem sentido na perspectiva construtivista. Esta é a essência do “método clínico” de Piaget (1926), tão citado quanto incompreendido: saber ouvir ou desencadear na criança só aquilo que ela possui como patrimônio de sua conduta, como teoria de sua ação, como esquema assimilativo. Ora, em uma visão não construtivista a ação induzida é, muitas vezes, a mais frequente.



O autor estabelece uma comparação entre as visões no entanto pontua que estas as visões Construtivista e Não Construtivista não se excluem, nós como educadores precisamos saber como integrá-las.

O problema é saber quando ou como operar um ou o outro. Sabemos que a síntese, a fórmula ou paradigma é tão necessários para a criança quanto a análise dos meios que produzem este resultado. Ou seja, construtivismo e não construtivismo são duas formas de produção de conhecimento O problema é diferenciá-las e integrá-las; é saber, repito, quando e como operá-los em proveito da educação da criança.



[1]. CORAZZA,Sandra Mara. “Construtivismo que lugar é este? In “ Educa-se uma Criança? “CALLIGARIS, contardo:ET. Alli. Artes e ofícios, 2 ]Ed., 1999


[2] MARQUES, Tania Beatriz Iwaszko. Epistemologia Genética. In: SARMENTO, Dirléia Fanfa; RAPOPORT, Andrea e FOSSATTI, Paulo (orgs). Psicologia e educação: perspectivas teóricas e implicações educacionais. Canoas: Salles, 2008. p.17-26

[3] O construtivismo e sua função educacional – Lino de Macedo https://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/o-construtivismo-e-sua-funcao-educacional/


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Ensino e anti-racismo




  
PEAD EIXO VI
 O ensino e o anti-racismo





No Brasil convivemos com o mito da democracia racial que revela o pior tipo de racismo, o racismo velado. O mito da democracia racial que produz nuances de racismo velado nas brincadeiras , na naturalização de apelidos depreciativos e na aceitação da discriminação dissimulada. Para construir ações afirmativas eficazes, precisamos refletir sobre as manifestações do racismo no contexto social.

Para embasar estas reflexões precisamos ter clareza sobre o conceito a experiência do racismo que, Segundo Ellis Cashomre,

É um fenômeno ideológico complexo cujas manifestações , embora variadas e diversas, estão ligadas à necessidade e aos interesses de um grupo social de conferir-se uma imagem e representar-se . O racismo engloba as ideologias racistas, as atitudes fundadas em preconceitos raciais, comportamentos discriminatórios, disposições estruturais e práticas institucionalizadas que atribuem características negativas a determinados padrões de diversidade significados sócio negativos aos grupos que os detêm, resultando em desigualdade racial, assim como na noção enganosa de que as relações discriminatórias entre grupos são moral e cientificamente justificáveis. O elemento central desse sistema de valores é de que a raça determina o desenvolvimento cultural dos povos.Deles derivam aas alegações de superioridade racial. O racismo, enquanto fenômeno ideológico, submete a todos e todas, sem distinção, revitaliza e mantém sua dinâmica de evolução de sociedade e das conjunturas históricas..

Esta preocupação em expressar com clareza o racismo como fenômeno ideológico, que ocorre como produção de um grupo em contexto histórico e denunciar com objetividade a finalidade deste que é a naturalização da desigualdade e da opressão de um grupo de pessoas pelo grupo dominante. A revisão do  conceito é instrumento  para denunciar o que ocorre no interior das escolas e para possibilitar a reflexão e o debate para fomentar o anti- racismo.



1.2 O ensino e o anti-racismo[1]

A questão do racismo deve ser apresentada à comunidade escolar de forma que sejam permanentemente repensados os paradigmas, em especial os eurocêntricos, com que fomos educados. Não nascemos racistas, mas nos tornamos racistas devido a um histórico processo de negação da identidade de todo esse processo, mostrando a resistência dos africanos e seus descendentes, que não se submeteram à escravidão, que se rebelaram e que conseguiram manter vivas as suas tradições culturais.  Estabelecer um diálogo com este passado por meio de pesquisas, de encontros com a ancestralidade, preservada ou reinventada, é fundamental no sentido de não hierarquizarmos, idealizarmos ou subestimarmos as diversas motivações/manifestações sócio políticas que dele fizeram parte.



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ações Afirmativas


PEAD EIXO VI

Ações Afirmativas
  


Alguns de nós já deve ter escutado questionamentos sobre as ações afirmativas, como as cotas para Negros em Universidades .Para àqueles que não costumam se deter em dados é muito importante reforçar que estas ações pretendem reparar injustiças históricas com a população negra no Brasil. Maria Célia Malaquias em “ Relações raciais no palco da vida: considerações sociátricas”[1] descreve a situação da população negra.

De acordo com dados do IBGE ( Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística), representa mais de 50% da população brasileira, há de se esperar que encontremos em todos os segmentos da sociedade essa proporção. Mas não é o que nosso cotidiano retrata. A presença negra é superior na periferia, nas escolas públicas até o ensino Médio e entre serviçais, só para citar alguns casos que ilustram, explicitam e nomeiam o racismo à moda brasileira. Barreiras invisíveis são usadas por um sistema eficaz de baixos salários, dificuldades de acesso á educação- mais ainda à educação de qualidae0- ou à saúde, sendo ainda maioria entre a população desempregada ou subempregada.MALAQUIAS, 2017. P. 281



Mas afinal: O que são ações afirmativas[2]

O que são ações afirmativas?

Entende-se por ações afirmativas o conjunto de medidas especiais voltadas a grupos discriminados e vitimados pela exclusão social ocorridos no passado ou no presente.

Qual o objetivo das ações afirmativas?

O objetivo das ações afirmativas é eliminar as desigualdades e segregações, de forma que não se mantenham grupos elitizados e grupos marginalizados na sociedade, ou seja, busca-se uma composição diversificada onde não haja o predomínio de raças, etnias, religiões, gênero, etc.

Como são feitas as ações afirmativas?

Por meio de políticas que propiciem uma maior participação destes grupos discriminados na educação, na saúde, no emprego, na aquisição de bens materiais, em redes de proteção social e de reconhecimento cultural.

Quais as ações afirmativas existentes no Brasil?

Muitas ações afirmativas já foram e são feitas no Brasil, podemos citar: aumento da participação dos grupos discriminados em determinadas áreas de emprego ou no acesso à educação por meio de cotas; concessão de bolsas de estudo; prioridade em empréstimos e contratos públicos; distribuição de terras e moradias; medidas de proteção diferenciada para grupos ameaçados, etc..

Ações afirmativas são políticas anti-discriminatórias?

Não. As ações afirmativas são preventivas e reparadoras no sentido de favorecer indivíduos que historicamente são discriminados. As políticas anti-discriminatórias são apenas formas de reprimir os discriminadores ou de conscientizar aqueles que possam vir a discriminar.

Quais são as ações afirmativas em âmbito federal para os afrodescendentes?
Existem muitas ações, dentre elas está a Lei 10.639/03 e a Lei 11.645/08. Além delas, podemos citar a Lei de Cotas no Ensino Superior, a Portaria Normativa Nº 18, de 11 de Outubro de 2012 o  DECRETO Nº 7.824, DE 11 DE OUTUBRO DE 2012  e o Estatuto da Igualdade Racial.

Saiba mais sobre o PROUNI e sobre as Cotas nas Universidades Públicas.




[1] Relações Raciais no palco da ida: Considerações Sociátricas,. Maria Célia Malaquias.2017