sexta-feira, 22 de junho de 2018

Alfabetização de adultos - o que aprendemos com o trabalho de campo




Alfabetização de adultos 
O que aprendemos com o trabalho de campo


Nas histórias que vão se delineando nestes relatos, vamos questionando nossas concepções pedagógicas , o sistema de avaliação que adotamos nos sistemas de ensino que atuamos , e desta forma começamos a questionar de que forma ao atuar no ensino fundamental podemos acolher, valorizar , mediar conhecimentos ,ou, rotular estigmatizar e excluir, provocando esta subjetivação que evidenciamos: “ Sou Burra” .  Assim , mesmo aquelas que não atuam nas classes da EJA, são impelidas a propor alternativas que garantam às crianças o acesso a escola e a sua permanência . Como afirma Machado 2016 :
Não se pode refletir sobre a Educação de Jovens e Adultos sem relacioná-la diretamente à forma como a sociedade está estruturada. Os cursos de alfabetização de adultos existem, exatamente, pela falta objetiva de oportunidades educacionais que garantam às crianças o acesso à escola, bem como à sua permanência, haja vista os altos índices de evasão e repetência evidenciados nas estatísticas sociais.


A marca da evasão do ensino regular fica marcada pela reprovação, ‘tive que repetir’. As práticas pedagógicas diretivas, tradicionais, baseadas em memorização de conteúdos , são baseadas em categorias que classifica os alunos que são capazes ou reprova os incapazes . Este modelo não possibilita alternativas para que a produção de conhecimento ocorra., somente rotula e expulsa.
A educação fundamentada em práticas pedagógicas diretivas. Com modelos de avaliação classificatória, marcaram a escolarização de Jessica e de Claudia. Este modelo opõem-se as concepções de alfabetização preconizadas por Freire. Para Freire a alfabetização é um ato de conhecimento de criação e não de memorização mecânica. O educando não é uma pasta onde são inseridos conceitos formados, para que aja essa construção da aprendizagem alfabética é preciso haver uma relação com a realidade que vive.

            É preciso desenvolver temas geradores que condizem com a realidade vivida pelo educando com o ato de aprender, o diálogo é a melhor forma de desenvolver o pensamento critico. “Através do diálogo podemos olhar o mundo e a nossa existência em sociedade como processo, algo em construção, como realidade inacabada e em constante transformação.


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Trabalho de campo/ Educação de Jovens e Adultos no Brasil

Educação de jovens e adultos
Entrevistas e Síntese Reflexiva



O presente trabalho refere-se a um estudo de campo, onde através de entrevistas estruturadas, fizemos a escuta de 03 alunos da EJA. O objetivo deste trabalho de campo foi resgatar  pelos relatos dos sujeitos sua identidade como estudantes da EJA. Na leitura da história de sua escolaridade e nas suas considerações sobre este processo, refletirmos sobre nossa  prática docente. Ao aproximar nosso olhar sobre estas histórias de vida , realizada pela observação destes espaços escolares vamos tecendo relações entre as histórias que surgem , observando e refletindo  sobre nossas práticas em sala de aula, e assim , criamos possibilidades e alternativas para nossa atuação docente.
Para fundamentar este trabalho de campo, utilizamos o referencial teórico proposto pela Interdisciplina da EJA/ Educação de Jovens e Adultos PEAD UFRGS- 2018.  Esta serve como aporte teórico para estabelecer um panorama sobre a história das políticas para a EJA no Brasil, identificar as concepções de educação com suas práticas e ideologias, uma reflexão crítica sobre a importância de temas geradores, proporcionando também uma reflexão sobre o trabalho pedagógico de Alfabetização, o que possibilita que este estudo seja uma análise crítica do contexto atual da EJA.

 Os alunos da EJA compostos de Jovens e adultos são sujeitos de uma história de vida pessoal que acarreta reflexões sobre suas vivências, desenvolvimento de habilidades especificas tanto na vida pessoal ou profissional, Desta forma, conforme Oliveira ( 1999)   ao descrever  os estudantes da EJA ressalta suas especificidades culturais. Afirma, o que os identifica são suas homogeneidades dentro das diversidades culturais de cada um. As vivências pessoais trazem experiências que estabelecem muitas especificidades. Estabelecer categorias muitos gerais produz estereótipos que generalizam este grupo.  Entender os traços culturais e sociais devem instrumentalizar o professor para uma leitura da historicidade  . Os  alunos chegam a EJA marcados pela exclusão da escola , que não os acolheu no sistema regular de ensino, exatamente por trabalhar com conteúdos e métodos engessados e descontextualizados.
Neste sentido é que se pode dizer, conforme afirmado anteriormente, que o problema da educação de jovens e adultos remete, primordialmente, a uma questão de especificidade cultural. É necessário historicizar o objeto da reflexão pois, do contrário, se falarmos de um personagem abstrato, poderemos incluir, involuntariamente, um julgamento de valor na descrição do jovem e do adulto em questão: se ele não corresponde à abstração utilizada como referência, ele é contraposto a ela e compreendido a partir dela, sendo definido, portanto, pelo que ele não é. OLIVEIRA, p.61.1999


Através da escuta dos relatos orais dos alunos , buscamos evidências do significado da escolarização regular para estes alunos, bem como sua realidade sócio-cultural, sua capacidade de reflexão sobre o vivido e como esta etapa de escolarização produziu subjetivações em suas identidades.
Um aspecto bastante relevante para a abordagem do significado da escolarização na vida dos alunos foi a resposta a questão sobre o relato das experiências como alunos, as recordações. Vejamos o relato de Paula:
Nunca gostei muito de estudar, mas durante o ensino fundamental, frequentava as aulas normalmente, sem problemas, embora gostava muito de faltar aulas.
            Durante o ensino médio, havia muita competição de vaidade entre as meninas. Gostava de me arrumar, mas nunca fui muito inteligente, então passei a me sentir meio excluída do grupo das meninas. Isso me incomodava muito e passei a piorar nos estudos, até que chegou um dia que não quis mais ir na aula, me sentia uma burra. Paula- 26 anos

No relato da aluna, fica evidenciada sua vida escolar, a escola regular com suas sistematizações e método tradicional, não faziam sentido para ela. No entanto se refere a  esta realidade como uma escolha sua, sem refletir sobre o sistema de escolarização. Continua o relato justificando sua evasão da escola, pois se julgava “muito burra”.
Na continuidade do relato ao afirmar como era o ensino afirma : Acho que era bom, eu é que não gostava de estudar.

No relato  de Paula esta a subjetivação causada pelo discurso escolar. Um significado é construído pelas afirmações e ações de professores  que produziram na aluna este distanciamento da escolarização como  capaz de  promover a construção de conhecimento.  O relato evidencia a realidade da maioria dos Jovens que chegam às salas da EJA, são eles os jovens excluídos do Sistema regular de ensino. A exclusão do ensino ocorre pela avaliação com modelos  classificatórios como a reprovação ou multi repetência, mas a forma mais grave de exclusão ocorre pela ineficácia dos métodos de ensino que não possibilitam a construção de conhecimentos. São métodos tradicionais, privilegiando a transmissão de informações pelo professor e devolução desta de forma direta, privilegiando a cultura escolar em detrimento da multiculturalidade dos alunos. A ineficiência em promover a aprendizagem, agravada pelo sistema classificatório de avaliação , estigmatiza, rotula e exclui.
Esta exclusão causada pelo sistema de avaliação classificatória, discriminatória e excludente fica evidenciada no relato de Márcia:
No ensino fundamental, tive que repetir o ano e parei de estudar. No ensino médio engravidei e fiquei com vergonha. Então achei melhor parar de estudar novamente.
          A marca da evasão do ensino regular fica marcada pela reprovação, ‘tive que repetir’. As práticas pedagógicas diretivas, tradicionais, baseadas em memorização de conteúdos , são baseadas em categorias que classifica os alunos que são capazes ou reprova os incapazes . Este modelo não possibilita alternativas para que a produção de conhecimento ocorra., somente rotula e expulsa.
A educação fundamentada em práticas pedagógicas diretivas. Com modelos de avaliação classificatória, marcaram a escolarização de Jessica e de Claudia. Este modelo opõem-se as concepções de alfabetização preconizadas por Freire. Para Freire a alfabetização é um ato de conhecimento de criação e não de memorização mecânica. O educando não é uma pasta onde são inseridos conceitos formados, para que aja essa construção da aprendizagem alfabética é preciso haver uma relação com a realidade que vive.
            É preciso desenvolver temas geradores que condizem com a realidade vivida pelo educando com o ato de aprender, o diálogo é a melhor forma de desenvolver o pensamento critico. “Através do diálogo podemos olhar o mundo e a nossa existência em sociedade como processo, algo em construção, como realidade inacabada e em constante transformação.
O alunos que chegam a EJA  possuem  marcas da exclusão, causada pelo sistema escolar que não os acolheu e que os estigmatizou e categorizou como incapazes. Para reconfigurar e ressignificar o espaço escolar como espaço de construção de conhecimento , de reflexão e de leitura da realidade necessitam que as práticas docentes estejam fundamentadas em temas significativos, que façam a leitura de sua historicidade que valorizem seus saberes e experiências fora do conteúdo formal da escola. Para Gomes, 2013, as perspectivas Interacionistas de Vygotsky ( 2008)  e de Alfabetização de Freire , levam a compreender os jovens e adultos analfabetos e/ou não escolarizados como sujeitos históricos, sociais e culturais, dotados de conhecimentos e experiências acumulados ao longo da vida, e que necessitam da intervenção de instituições culturais capazes de desencadear o desenvolvimento de suas potencialidades. São, portanto, não objetos depositários de conhecimentos, mas sujeitos capazes de construir conhecimento e aprendizado.



segunda-feira, 11 de junho de 2018

Alfabetização de adultos/ Método dialógico de ensino


Alfabetização de adultos
Método dialógico de ensino





Haras   faz a análise da prática no Curso Supletivo do Colégio Santa Cruz durante  um ano letivo, onde se procurou ligar o embasamento teórico com as possibilidades de sala de aula,   faz uma avaliação positiva da prática de alfabetização de adultos , concluindo com possibilidades criadas para a solução de problemas.
Podemos avaliar ganhos significativos com nosso trabalho. À conceituação de Paulo Freire acrescentamos os novos conhecimentos da psicolinguística trazidos por Emília Ferreiro. A prática nos mostrou como são complementares os dois pontos de vista, e como juntam para aprimorar o trabalho de alfabetização de adultos. Alguns pontos extraídos da reflexão sobre a prática nos parecem fundamentais, porque reafirmam nossas hipóteses iniciais e apontam caminhos para soluções de problemas há muito colocados na área da metodologia:
 1) É possível considerar o saber intelectual dos adultos não escolarizados. Eles têm conhecimentos que a escola não pode desconsiderar. Conhecer quais são esses saberes nos permite efetivamente valorizá-los na prática pedagógica.
            2) Os adultos não escolarizados operam cognitivamente e não são meros depósitos para informações. Assim como na formação do pensamento das crianças há etapas de desenvolvimento, para os adultos analfabetos também. E, como para elas, a progressão nas etapas depende de uma construção efetivada a partir de desafios, informações, interrelação com o meio.
3) Perceber a construção social do código escrito e apropriar-se dele pode ser um dos passos para perceber as relações no mundo.

Haras, ao conceber a aprendizagem da leitura da escrita e da escrita como processual, define alguns aspectos pedagógicos para potencializar a construção destes conceitos :
- Alfabetização com temas significativos- temas geradores que partem das vivências e da realidade dos alunos,
Esses fatos demonstram a importância de se identificar a necessidade de escrever de cada um. Que as propostas de escritura tenham realmente alguma função para o sujeito. É diferente de se ensinar a grafar todas as famílias silábicas para que depois a pessoa possa se expressar. O ato de escrever é indissociável da função expressiva e comunicativa da escrita, e, portanto, das coisas do mundo, do que há para expressar e comunicar na vida. HARAS, 1992. Pag.09

- Método dialógico que envolve a participação dos alunos em debates, argumentando, e formulando críticas a realidade,
- Diagnóstico das hipóteses de escrita dos alunos, para mediar desafios que os desacomodem e provoquem rupturas e avanços;
Com a ideia de que os alunos já têm algum conhecimento sobre o código escrito, de que o domínio desse código é uma aquisição cognitiva e de que cada um é capaz de construir seu conhecimento, a proposta é partir do que cada um sabe e oferecer oportunidade de reflexão e prática até chegar à leitura e escrita competentes. HARAS, 1992. Pag.01

- Avaliação que promova o erro reconstrutivo , a pedagogia do erro que considera este não um fracasso mas importante etapa do processo de construção da leitura e da escrita.
        Estes fundamentos que servem de base para a alfabetização de adultos, são evidenciados nos Vídeos disponibilizados. Estes apresentam a prática pedagógica em que se evidenciam a aprendizagem por temas geradores, uma avaliação diagnóstica que possibilita a professora mediar desafios e provocar avanços na hipótese de escrita dos alunos, um método dialógico de ensino onde são valorizadas a participação de todos e o desenvolvimento da autonomia.

Refletindo sobre as propostas metodológicas de Haras, fui fazendo uma relação com os alunos dos Anos Iniciais , pois sabemos que os alunos que não se alfabetizam muitas vezes são submetidos a um processo inadequado que conflitua com seu próprio modo de perceber a escrita. Assim a provocação que surge é de que forma é produzido  o fracasso escolar que gera a evasão , rotula e  exclui os alunos da escola regular?
 A prática das concepções proposta por Haras para a EJA  como: aprendizagens significativas, diagnóstico das hipóteses da escrita, temas geradores , práticas dialógicas de ensino, se efetivadas nos anos Iniciais potencializaria a aprendizagem, diminuindo a exclusão de muitas crianças e jovens do sistema regular de ensino.


Referências:
HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992

A construção da leitura e da escrita. parte 1
A construção da leitura e da escrita. parte 2
A construção da leitura e da escrita. parte 3
A construção da leitura e da escrita. parte 4


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Alfabetização de adultos/ Desafios


Alfabetização de adultos um desafio



No artigo “ Alfabetização e adultos: ainda um desafio” Haras ( 1992) ,  faz uma análise  das práticas de alfabetização de adultos apontando os impasses que envolvem a escolarização popular sendo estes:  dificuldades em ensinar, conseguir motivação e conseguir efetivamente ganhos de consciência. Afirma que o produto desta escolarização esta abaixo da expectativa. O fracasso se deve a alguns fatores sociais agravado pelos  próprios processos de escolarização ofertados. Como afirma Haras:
Os fatores de ordem social não podem ser desprendidos do tipo de estrutura social em que vivemos. Sociedade excludente, que marginaliza a grande maioria pobre, acaba por negar as condições mínimas para a realização da escolarização das camadas populares, e, quando isto ocorre, a escolarização é destituída da qualidade necessária. HARAS, 1992. Pag.01

Os impasses e desafios ao sucesso na escolarização de adultos  agravam-se pela falta de formação dos professores. Sem acesso a produção de conhecimento nesta área que fundamente sua ação, o que ocorre são tentativas sem concepção que as fundamente. Em alguns casos existe uma leitura superficial das concepções de Freire que conduz a algumas medidas que desvirtuam suas concepções e mascaram métodos tradicionais de ensino. Estas ações não consideram nos processo de aprendizagem dos códigos de ler e escrever pressupostos básicos da obra de Freire como o respeito ao universo do educando, suas experiências acumuladas antes da escolarização, suas hipóteses à respeito de tal processo e a ampliação de sua consciência:

Frente aos impasses enfrentados para a escolarização de adultos HARAS, apresenta propostas para a superação destes entraves. Sistematizou estas propostas através do acompanhamento por 02 anos de um grupo de escolarização de adultos. Sua proposta foi fundamentada no aporte teórico nas concepções da alfabetização de adultos proposta por  Freire, como também nas concepções de alfabetização de Ferreiro e Teberosky .
Considerando que para Freire as concepções de aprendizagem , processo pedagógico e o político são indissociáveis. Para Haras ,ao conceber o homem como ser de vocação ontológica para ser sujeito, como um ser de relações atuando na realidade, já se antecipa que, para Paulo Freire, o processo de aprendizagem é dinâmico e ativo. Quando aceitamos que o homem seja sujeito na compreensão do mundo, aceitamos que também o seja na construção do seu conhecimento sobre a escrita, uma parcela do conhecimento social. Paulo Freire entende alfabetização como um ato de conhecimento, no qual "aprender a ler e escrever já não é, pois, memorizar sílabas, palavras ou frases, mas refletir criticamente sobre o próprio processo de ler e escrever e sobre o profundo significado da linguagem"
Esta afirmação fica evidenciada nos Vídeos “ A construção da leitura e da escrita”, que retratam a alfabetização de adultos. As situações de leitura e escrita de textos são fundamentados em situações da realidade dos alunos e destas surgem temas geradores. Assim os alunos produzem textos com temas que a eles fazem sentido e tem significado. Como exemplo : levantaram  os problemas enfrentados pelos moradores do bairro, ou críticas sóciais potencializadas pela leitura de jornal.

 Ferreiro e Teberoski comprovam com suas investigações que os adultos como as  crianças tem ideias e hipóteses sobre as escrita , os  resultados da investigação permitiram concluir que a aquisição da escrita é uma aquisição conceitual, construída pelo sujeito nas relações com o meio, do mesmo modo que se observa em outras áreas do conhecimento. Então cabe ao professor estruturar um projeto que promova novos desafios, desacomode suas hipóteses iniciais e promova interações que permita a construção de novos conceitos.
A alfabetização é um processo que leva ao domínio do código escrito; os estudos psicolinguísticos mostram que há etapas cognitivas que o sujeito do processo passa para construir o domínio do código escrito. O homem, sujeito de sua aprendizagem, constrói seus conhecimentos nos diferentes momentos da vida e nas diferentes situações que vivencia, a escrita é um desses conhecimentos. Inscrita na leitura do mundo, a leitura da palavra é um de seus aspectos; a proposição para a construção da leitura da palavra segue o mesmo conceito da leitura do mundo, enquanto conduta de aproximação do objeto. Diferencia-se exatamente na eleição do objeto: o código escrito. HARAS, 1992. Pag.07


Referências:
HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992



segunda-feira, 28 de maio de 2018

Inovações pedagógicas


Inovações pedagógicas


No artigo “Inovações pedagógicas e a reconfiguração de saberes no ensinar e no aprender na universidade”, Isabel Cunha relata  pesquisa realizada com professores universitários , através de estudo de casos. Na análise das rupturas que vem ocorrendo no ensinar e aprender,  utiliza  como referencial o seguinte conceito de inovação pedagógica:
                   Entendemos que a inovação requer uma ruptura necessária que permita reconfigurar o conhecimento para além das regularidades propostas pela  modernidade. Ela pressupõe , pois, uma ruptura pragmática e não apenas inclusão de novidades inclusive as tecnológicas... Nesse sentido envolve uma mudança na forma de entender o conhecimento.  CUNHA. 2004. P. 12

            Ao definir critérios para análise das experiências apresentadas pelos professores, pontua como inovação os seguintes aspectos:
- ruptura com a forma tradicional de ensinar e de aprender e/ou com os procedimentos acadêmicos inspirados nos princípios positivistas das ciências;
- gestão participativa por meio da qual os sujeitos do processo inovador sejam protogênicos
- reconfiguração dos saberes;
- reorganização da relação teoria/prática com a anulação ou diminuição das clássicas dualidades;
- perspectiva orgânica no processo de concepção, desenvolvimento e avaliação de experiências desenvolvidas.
            Entendo que os conceitos trazidos por Isabel Cunha servem como provocações para reflexão sobre nossa prática. Como afirma, não basta inovar com a inclusão de novas tecnologias , pois as inovações são de fato uma mudança de paradigmas. 
A busca de  inovar e buscar outras possibilidades de ensinar e aprender, se fundamenta em nossa reflexão sobre a ação. É exercício cotidiano em que buscamos caminhos para efetivar nossas concepções de inovações pedagógicas. Mais do que um exercício, é um grande desafio!

Referência:
CUNHA,   Maria   Isabel   da. Inovações pedagógicas e a reconfiguração de saberes no ensinar e no aprender na universidade. VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Centro de Estudos Sociais, Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra, Portugal, 16 a 18 de setembro de 2004.






segunda-feira, 21 de maio de 2018

Planejamento docente- elementos básicos


                      
                     Por que planejar?






A autora Rodrigues (2001) ao fazer uma retrospectiva de sua trajetória profissional como professora de Educação Infantil e supervisora traça um panorama sobre o planejamento docente. Retoma a década de oitenta e a forma burocratizada de planejamento que servia para atender uma exigência até chegar aos dias atuais e revelar a importância deste para concretizar a intencionalidade pedagógica das ações. Considera relevante para sua visão do planejamento hoje, a obra de Danilo Gandin, em que o autor sugere três questões básicas: o que queremos alcançar? A que distância estamos daquilo que queremos alcançar? O que faremos concretamente (em tal prazo) para diminuir esta distância? E desfez o nó ao afirmar:
Planejamento é elaborar – decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação educacional é necessário para isso. Verificar a  que distância se está deste tipo de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se pretende: propor uma série orgânica de ações para diminuir esta distância e para contribuir mais para o resultado final estabelecido; executar – agir em conformidade com o que foi proposto e avaliar – revisar sempre cada uma dessas ações, bem como cada um dos documentos dele derivados. (Gandin, 1985, p.22).

Elementos básicos para o esboço de um planejamento didático-pedagógico
Rodrigues afirma que há elementos que são básicos em qualquer forma de planejamento. São eles:
      • objetivos é preciso explicitá-los, tendo como questões básicas o quê” e “para quê”; 
  • justificativa toda proposta tem uma origem, um porquê; 
  • temática apresentação do eixo integrador; 
  • estratégias momento do "como" ser explicitado; 
  • localização onde será desenvolvido? Para quem? É importante esta caracterização, deixando esclarecido o contexto; 
  • recursos qual o apoio necessário, em termos de materiais, meios a serem utilizados; 
  • avaliação como acompanhamento permanente do processo, re­velar os indicadores, critérios de avaliação. 

Referência:
RAYS, O. A. Planejamento de ensino: um ato político-pedagógico.Cadernos didáticos: Curso de Pós-Graduação em Educação/ Universidade Federal de Santa Maria/RS, 1989.


Xavier, Maria Luisa M.  e Dalla Zen, Maria Isabel H.  Planejamento em destaque:análises menos convencionais.Maria Luisa M. Xavier e Maria Isabel H. Dalla Zen.Maria Bernadette Castro Rodrigues: “Planejamento: em busca de caminhos”. Porto Alegre: Mediação, 2001. P. 59-65 e 72-73.


segunda-feira, 14 de maio de 2018

Planejamento docente


O que é planejar?






Para provocar nossa reflexão referente ao planejamento docente, a Interdisciplina Didática Planejamento e avaliação disponibilizou a leitura do texto ‘Planejamento: em busca de novos caminhos” e “Planejamento de ensino: um ato político e pedagógico”. Estes textos foram base para o levantamento de cinco perguntas sobre o ato de planejar.A partir da leitura dos textos de Rodrigues (2011) e Rays (2000), elaborar  cinco perguntas que considero importantes para fundamentar o planejamento de ensino.

Qual o significado destas  aprendizagens para a vida dos  alunos?
Quais são os conhecimentos prévios que podem ser articulados com esta aprendizagem?
Como esta aprendizagem se articula com outras áreas de conhecimento?
Quem são os alunos?
Qual a intencionalidade pedagógica da construção destas aprendizagens?

Desta forma ao articular e  selecionar os conteúdos para o planejamento, preciso questionar  qual o significado destes para o alunos.
As novas aprendizagens precisam ter como ponto de partida para a construção de novo conhecimento os conhecimentos prévios dos alunos. A partir da pergunta inicial: o que sabem sobre este assunto? ,  vamos lançando desafios onde o aluno, para responder ou superá-los deverá articular novas fontes de conhecimento com o que já sabia anteriormente. Como comprovou Piaget em suas pesquisas com crianças, a equilibração, sucede-se períodos de desequilíbração causados pelos desafios propostos pelo professore mediador. A estes se sucedem a assimilação e nova equilibração. Para que isto ocorra é necessário ter um olhar atento sobre o que o aluno já sistematizou, para que os desafios propostos  não sejam uma tarefa instranponível e que não sejam tão fáceis que não sejam capazes de mobilizar sua busca por novos saberes.
Neste desafios com o intuito de possibilitar a construção de novas aprendizagens, as áreas de conhecimento não podem ser tratadas de forma compartimentalizada. As áreas se complementam e articulam para a construção de conhecimento.
No entanto o fundamento das aprendizagens partem da realidade do aluno, aquilo que a ele tem significado. Freire afirma que antes da leitura da palavra, o aluno faz a leitura do mundo. Desta forma, aproximar o aluno da sua realidade é possibilitar que o mesmo aprofunde este olhar de forma crítica e transformadora.
               

RAYS, O. A. Planejamento de ensino: um ato político-pedagógico.Cadernos didáticos: Curso de Pós-Graduação em Educação/ Universidade Federal de Santa Maria/RS, 1989.


Xavier, Maria Luisa M.  e Dalla Zen, Maria Isabel H.  Planejamento em destaque: análises menos convencionais.Maria Luisa M. Xavier e Maria Isabel H. Dalla Zen. Maria Bernadette Castro Rodrigues: “Planejamento: em busca de caminhos”. Porto Alegre: Mediação, 2001. P. 59-65 e 72-73.



segunda-feira, 7 de maio de 2018

Avaliação - mudança de concepções


O QUE SIGNIFICA AVALIAR?




Uma das tarefas que fazem parte do cotidiano escolar é a expressão das avaliações trimestrais. O momento de comunicar aos pais como o aluno se encontra em seu processo de aprendizagem. Os avanços alcançados e em que aspecto merece apoio para que ocorra progressão. É um trabalho burocrático, que se insere nas demais demandas do calendário escolar. No entanto, não podemos deixar de refletir sobre a importância deste processo e de como pode contribuir para o êxito da aprendizagem dos alunos ou, aprofundar situações de fracasso e exclusão escolar.
Com o objetivo de refletir sobre o processo de avaliações, compartilho alguns apontamentos de Jussara Hoffman sobre avaliar. Para a autora a avaliação deve ter como premissa um olhar sobre a singularidade de cada aluno, como segue:
Avaliar para promover cada um dos alunos é um grande compromisso que nos exige aprofundar o olhar sobre a sua singularidade no ato de aprender e, ao mesmo tempo, ampliá-lo na direção do grupo e das relações sociais. Olhares esses fundamentados em múltiplas referências de análise do processo de conhecimento. Hoffman, 2014.
A avaliação tem como principal instrumento a observação atenta do professor sobre o modo como o aluno pensa e age frente a desafios lançados em aula. Como se articula para defender suas ideias, como argumenta e formula suas respostas na interação com os colegas , de que forma usa os meios de informações disponíveis para responder aos seus questionamentos.
Avaliar competências significa observar o aluno em sua capacidade de pensar e agir eficazmente em uma situação, buscando soluções para enfrentá-la, apoiado em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles. O aprender envolve vários aspectos: situações interativas (discussão com outros colegas, com os professores, com os familiares), engajamento pessoal (desejo de descobrir, de conhecer) e a busca de conhecimentos em momentos sucessivos e complexos (buscar em diferentes fontes – livros, revistas, jornais, Internet, outras pessoas – aprofundar-se cada vez mais no assunto). Hoffman, 2014.
Para construir este olhar sobre o aluno, não basta aplicar instrumentos que meçam as aprendizagens como provas ou testes padronizados. È necessário criar situações em aula com o intuito de observar como aluno constrói suas hipóteses, como argumenta, como formula suas perguntas.
Avaliar é essencialmente questionar. É observar e promover experiências educativas que signifiquem provocações intelectuais significativas no sentido do desenvolvimento do aluno. Dessa forma, as tarefas e testes mudam radicalmente de lugar e de importância no contexto escolar. Enquanto na avaliação classificatória esses instrumentos ocupam o lugar de verificar, comprovar o alcance de um objetivo ao final de um estudo, de um determinado tempo, na visão mediadora, ao contrário, elas assumem o caráter permanente de mobilização, de provocação. Professores e alunos questionam- se, buscam informações pertinentes, constroem conceitos, resolvem problemas. Avaliar é, então, questionar, formular perguntas, propor tarefas desafiadoras, disponibilizando tempo, recursos e condições aos alunos para a construção das respostas. Hoffman, 2014.
Avaliar desta forma, não é ponto final, é ponto de partida. É a partir deste olhar sobre a singularidade da evolução de cada aluno e do reconhecimento do percurso evolutivo de cada aluno que será ajustado o percurso, propondo novas situações de aprendizagem que atendam a progressão de todos.
A continuidade da ação pedagógica tem por referência, assim,  um olhar amplo e multidimensional do professor acerca do processo vivido pelos alunos, seus interesses, avanços e necessidades. A intervenção pedagógica do professor será mais consistente e significativa à medida que ele se questionar permanentemente sobre a trajetória de cada um, procurando ampliar e complementar seu entendimento sobre os seus percursos evolutivos, sem deixar de observar todo o grupo, ajustando suas ações educativas à multiplicidade de referências que a aprendizagem acarreta. Hoffman, 2014.

Refletindo sobre o texto de Hoffmann e analisando as evidências que presenciamos no cotidiano escolar concluímos que a avaliação classificatória, autoritária  e excludente  ainda é muito presente. Para transformar a avaliação em diagnóstico do que deu certo no planejamento inicial e que deverá ser reformulado para futuros planos docentes é prioritário avaliar a própria prática para superar-se e garantir a mediação da aprendizagem a todos. Este processo deve ser mediado pelo método dialógico de ensino valorizando  conhecimentos prévios dos alunos, proporcionando como fundamento da prática  a dialogicidade, a construção do conhecimento pela ação do aluno, tornando a  avaliação  um processo contínuo. Avaliando não somente as repostas, mas o acompanhamento das aprendizagens pela ação total do aluno, suas perguntas, as dúvidas que são bases para pesquisas, o interesse nas atividades propostas

(Leia o texto completo em HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do caminho. 15. ed. Porto Alegre: Mediação, 2014. p.63-83 – trecho adaptado pela autora)

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Avaliação / Superação de métodos diretivos excludentes



O que é avaliar?



         Para provocar nossa reflexão referente à avaliação , a Interdisciplina Didática Planejamento e avaliação disponibilizou a leitura da autora Lucinete Ferreira  a charge de Tonucci e a caricatura de Hans.
Na charge vemos a ilustração representando a função da avaliação como classificatória, com o objetivo dicotômico de  aprovar ou reprovar. Sendo que o único aluno aprovado é o que está espelhando a professora, ou seja, seu ideal de aluno, o modelo esperado. Nesta charge vemos a realidade que ocorre no cotidiano das escolas com relação a função da avaliação. Esta é concebida como instrumento de classificação, acrescido de força pela coação e medo provocados pela possibilidade de reprovação escolar. Para Souza, 1993,
         A avaliação do rendimento escolar tem se traduzido , nas escolas, em uma prática autoritária que legitima um processo de seletividade e discriminação de alunos com consequências sociais e pessoais danosas, em nada coerente com a função de apoiar o aperfeiçoamento do ensino. ... Na prática , negamos as diferenças individuais dos alunos e as decorrentes das classes sociais provenientes
           Na caricatura de Hans que se intitula , “ Igualdade de oportunidades”, temos a legenda: No sentido de uma seleção justa, o teste é o mesmo para todos: subir na árvore( tradução Google).E os sujeitos da avaliação apresentados na gravura são cachorro, aves, elefante,foca, macaco e peixe. Para ser mais completa os animais já estariam rotulados como: lentos, desorganizados , deficientes, ou seja ,reprovados. Temos em Souza , 1993:
          A avaliação classificatória promover a prática discriminatória e seletiva, onde os socialmente favorecidos são capazes de prosseguir nos estudos e os vindos de classes sociais mais desfavorecidas são eliminados do processo.
         Na reflexão provocada pelas ilustrações, encontramos as definições de Ferreira para a avaliação no cotidiano escolar. Para a autora , a cultura avaliativa tem um fim em si mesma e não um meio para viabilizar o processo educativo. Aponta as funções da avaliação como classificatória, autoritária e reprodutiva. Também pontua a posição reducionista desta :
           Através do posicionamento reprodutivista, reducionista e unilateral do processos avaliativo, reforçado pelo aspecto físico- dimensional e orgânico da sala de aula e o burocrático exigido pelo sistema , a escola evidencia no seu cotidiano uma prática sujeita a desvirtuamentos. Ferreira, 2002
          Na prática educativa percebo que a avaliação deve ter coerência com as concepções de aprendizagem que fundamentam a ação. Neste sentido se busco o modelo relacional de ensino , onde valorizo os conhecimentos prévios, proporciono a dialogicidade , a construção do conhecimento pela ação do aluno, a avaliação é um processo contínuo. Avalio não somente as repostas ,mas o acompanhamento das aprendizagens é realizado pela ação total do aluno , suas perguntas, as dúvidas que são bases para pesquisas , o interesse nas atividades propostas.Avaliar deixa de ter o foco no aluno como aprendente e passa a ser um diagnóstico do que deu certo no planejamento inicial e que deverá ser reformulado para futuros planos docentes. É questionar a própria prática para superar-se e garantir a mediação da aprendizagem a todos.

Referências :
FERREIRA, Lucinete. O contexto da prática avaliativa no cotidiano escolar. In:____. Retratos da avaliação: conflitos, desvirtuamentos e caminhos para a superação. Porto Alegre: Mediação, 2002. p.39-61.
Hans Traxler, Chancengleichheit, in: Michael Klant , [Hrsg.] , Schul-Spott : Karikaturen aus 2500 Jahren Pädagogik ,Fackelträger, Hannover 1983, S. 25


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Transdiciplinariedade



Transdiciplinariedade /Fundamentos históricos

Interdisciplina Didática Planejamento e avaliação disponibilizou o texto "A questão da interdisciplinaridade". No artigo o autor Jiapssu, faz duras críticas ao discorrer sobre a fragmentação de saberes, presente nas academias refere-se a esta como compartimentalização dos saberes ou especialização sem limites. Afirmando que este é responsável pela fragmentação crescente do horizonte epistemológico:
Essas “ilhas” epistemológicas, dogmática e criticamente ensinadas, são ciumentamente mantidas por estes reservatórios ou silos de saber, que são as instituições de ensino, muito mais preocupadas com a distribuição de suas fatias de saber, de uma ração intelectual a alunos que não têm fome. JAPIASSU.1994.
Para compreendermos esta organização do ensino, que se revela na fragmentação dos saberes e no consequente esvaziamento de sentidos, fugindo da explicação apriorista que as naturaliza, o autor Santomé expõe a trajetória desta concepção de escolarização, encontrando os fundamentos desta nos movimentos históricos e sociais , na fragmentação dos processos de produção , impostos pelos modelos fordistas e tayloristas.
Na hora de pesquisar o verdadeiro significado desta proposta, considero imprescindível reconstruir o que estava acontecendo em outras esferas sociais, especialmente no mundo da produção. Essa revisão pode nos fornecer informação suficientemente significativa para aprofundar estes conceitos e chegar a compreender seu verdadeiro alcance.SANTOMÉ.1998
Na análise da trajetória da implantação dos modelos de produção  no início do século XX, ocorre uma busca de acúmulo de capital e meios de produção . Esta busca resulta no barateamento da mão de obra e na desapropriação dos conhecimentos dos trabalhadores.
A organização das fábricas, pelos modelos fordistas e tayloristas, tornaram as funções dos operários mecânicas e muito fáceis sem que a elas fosse necessário compreender o significado de execução. Esta organização das fábricas influenciou também a organização escolar:
O modelo fordista e taylorista de produção atendeu às demandas do mercado de produção e de acúmulos de bens durante décadas. No entanto com a globalização da economia, tornou-se urgente uma mudança nestes modelos para atender a economia que apresentava rápida flexibilização e urgente controle de resultados. Destas exigências surge o modelo adotado pela Toyota nas décadas de 60e 70.
Como os modos de produção, tencionam as instituições educativas para que forneçam mão de obra de acordo com sua demanda, começam a surgir novas concepções denominadas como : ensino globalizado, transdisciplinar, interdisciplinar que descrevem a oncepção de ensino,assim descritos por Japiassu:
Nesta perspectiva, o que se busca é produzir um discurso e uma representação práticos e particulares  dizendo respeito aos problemas concretos. Diante desses problemas, confrontamos e fazemos interagir os pontos de vista ou os discursos das várias disciplinas: sociologia, medicina, antropologia, psicologia, etc. O objetivo não é o de criar uma nova disciplina científica nem tampouco um discurso universal, mas o de resolver um problema concreto. Nessas condições, as práticas interdisciplinaridades podem ser consideradas como negociações entre pontos de vista, entre projetos e interesses diferentes. JAPIASSU.1994.
No cotidiano escolar, muitas vezes escutamos falas de educadores e outros profissionais de educação que fazem referência às concepções de educação numa tentativa de naturalização dos fatos e concepções. Algumas referências ao Ensino tradicional e métodos diretivos com uma visão apriorista. Mesmo nas tentativas de ressignificar o lugar da escola, com propostas  de métodos relacionais de ensino, pouco ou nada escutamos do tencionamento  da economia e modos de produção sobre estas concepções. Assim ,as leituras propostas, nos provocam estes questionamentos : a quem serve as concepções de educação que fundamentam nossas práticas? Como frente a estes tencionamentos , podemos procurar caminhos para uma educação democrática , não somente em conceitos mas nas práticas cotidianas.

Referências:
JAPIASSU, Hilton. A questão da interdisciplinaridade. Revista Paixão de Aprender. Secretaria Municipal de Educação, novembro, n°8, p. 48-55, 1994.
Acesso em 22 Abril 2018.
SANTOMÉ, J. T. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artmed; 1998.