segunda-feira, 28 de maio de 2018

Inovações pedagógicas


Inovações pedagógicas


No artigo “Inovações pedagógicas e a reconfiguração de saberes no ensinar e no aprender na universidade”, Isabel Cunha relata  pesquisa realizada com professores universitários , através de estudo de casos. Na análise das rupturas que vem ocorrendo no ensinar e aprender,  utiliza  como referencial o seguinte conceito de inovação pedagógica:
                   Entendemos que a inovação requer uma ruptura necessária que permita reconfigurar o conhecimento para além das regularidades propostas pela  modernidade. Ela pressupõe , pois, uma ruptura pragmática e não apenas inclusão de novidades inclusive as tecnológicas... Nesse sentido envolve uma mudança na forma de entender o conhecimento.  CUNHA. 2004. P. 12

            Ao definir critérios para análise das experiências apresentadas pelos professores, pontua como inovação os seguintes aspectos:
- ruptura com a forma tradicional de ensinar e de aprender e/ou com os procedimentos acadêmicos inspirados nos princípios positivistas das ciências;
- gestão participativa por meio da qual os sujeitos do processo inovador sejam protogênicos
- reconfiguração dos saberes;
- reorganização da relação teoria/prática com a anulação ou diminuição das clássicas dualidades;
- perspectiva orgânica no processo de concepção, desenvolvimento e avaliação de experiências desenvolvidas.
            Entendo que os conceitos trazidos por Isabel Cunha servem como provocações para reflexão sobre nossa prática. Como afirma, não basta inovar com a inclusão de novas tecnologias , pois as inovações são de fato uma mudança de paradigmas. 
A busca de  inovar e buscar outras possibilidades de ensinar e aprender, se fundamenta em nossa reflexão sobre a ação. É exercício cotidiano em que buscamos caminhos para efetivar nossas concepções de inovações pedagógicas. Mais do que um exercício, é um grande desafio!

Referência:
CUNHA,   Maria   Isabel   da. Inovações pedagógicas e a reconfiguração de saberes no ensinar e no aprender na universidade. VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Centro de Estudos Sociais, Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra, Portugal, 16 a 18 de setembro de 2004.






segunda-feira, 21 de maio de 2018

Planejamento docente- elementos básicos


                      
                     Por que planejar?






A autora Rodrigues (2001) ao fazer uma retrospectiva de sua trajetória profissional como professora de Educação Infantil e supervisora traça um panorama sobre o planejamento docente. Retoma a década de oitenta e a forma burocratizada de planejamento que servia para atender uma exigência até chegar aos dias atuais e revelar a importância deste para concretizar a intencionalidade pedagógica das ações. Considera relevante para sua visão do planejamento hoje, a obra de Danilo Gandin, em que o autor sugere três questões básicas: o que queremos alcançar? A que distância estamos daquilo que queremos alcançar? O que faremos concretamente (em tal prazo) para diminuir esta distância? E desfez o nó ao afirmar:
Planejamento é elaborar – decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação educacional é necessário para isso. Verificar a  que distância se está deste tipo de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se pretende: propor uma série orgânica de ações para diminuir esta distância e para contribuir mais para o resultado final estabelecido; executar – agir em conformidade com o que foi proposto e avaliar – revisar sempre cada uma dessas ações, bem como cada um dos documentos dele derivados. (Gandin, 1985, p.22).

Elementos básicos para o esboço de um planejamento didático-pedagógico
Rodrigues afirma que há elementos que são básicos em qualquer forma de planejamento. São eles:
      • objetivos é preciso explicitá-los, tendo como questões básicas o quê” e “para quê”; 
  • justificativa toda proposta tem uma origem, um porquê; 
  • temática apresentação do eixo integrador; 
  • estratégias momento do "como" ser explicitado; 
  • localização onde será desenvolvido? Para quem? É importante esta caracterização, deixando esclarecido o contexto; 
  • recursos qual o apoio necessário, em termos de materiais, meios a serem utilizados; 
  • avaliação como acompanhamento permanente do processo, re­velar os indicadores, critérios de avaliação. 

Referência:
RAYS, O. A. Planejamento de ensino: um ato político-pedagógico.Cadernos didáticos: Curso de Pós-Graduação em Educação/ Universidade Federal de Santa Maria/RS, 1989.


Xavier, Maria Luisa M.  e Dalla Zen, Maria Isabel H.  Planejamento em destaque:análises menos convencionais.Maria Luisa M. Xavier e Maria Isabel H. Dalla Zen.Maria Bernadette Castro Rodrigues: “Planejamento: em busca de caminhos”. Porto Alegre: Mediação, 2001. P. 59-65 e 72-73.


segunda-feira, 14 de maio de 2018

Planejamento docente


O que é planejar?






Para provocar nossa reflexão referente ao planejamento docente, a Interdisciplina Didática Planejamento e avaliação disponibilizou a leitura do texto ‘Planejamento: em busca de novos caminhos” e “Planejamento de ensino: um ato político e pedagógico”. Estes textos foram base para o levantamento de cinco perguntas sobre o ato de planejar.A partir da leitura dos textos de Rodrigues (2011) e Rays (2000), elaborar  cinco perguntas que considero importantes para fundamentar o planejamento de ensino.

Qual o significado destas  aprendizagens para a vida dos  alunos?
Quais são os conhecimentos prévios que podem ser articulados com esta aprendizagem?
Como esta aprendizagem se articula com outras áreas de conhecimento?
Quem são os alunos?
Qual a intencionalidade pedagógica da construção destas aprendizagens?

Desta forma ao articular e  selecionar os conteúdos para o planejamento, preciso questionar  qual o significado destes para o alunos.
As novas aprendizagens precisam ter como ponto de partida para a construção de novo conhecimento os conhecimentos prévios dos alunos. A partir da pergunta inicial: o que sabem sobre este assunto? ,  vamos lançando desafios onde o aluno, para responder ou superá-los deverá articular novas fontes de conhecimento com o que já sabia anteriormente. Como comprovou Piaget em suas pesquisas com crianças, a equilibração, sucede-se períodos de desequilíbração causados pelos desafios propostos pelo professore mediador. A estes se sucedem a assimilação e nova equilibração. Para que isto ocorra é necessário ter um olhar atento sobre o que o aluno já sistematizou, para que os desafios propostos  não sejam uma tarefa instranponível e que não sejam tão fáceis que não sejam capazes de mobilizar sua busca por novos saberes.
Neste desafios com o intuito de possibilitar a construção de novas aprendizagens, as áreas de conhecimento não podem ser tratadas de forma compartimentalizada. As áreas se complementam e articulam para a construção de conhecimento.
No entanto o fundamento das aprendizagens partem da realidade do aluno, aquilo que a ele tem significado. Freire afirma que antes da leitura da palavra, o aluno faz a leitura do mundo. Desta forma, aproximar o aluno da sua realidade é possibilitar que o mesmo aprofunde este olhar de forma crítica e transformadora.
               

RAYS, O. A. Planejamento de ensino: um ato político-pedagógico.Cadernos didáticos: Curso de Pós-Graduação em Educação/ Universidade Federal de Santa Maria/RS, 1989.


Xavier, Maria Luisa M.  e Dalla Zen, Maria Isabel H.  Planejamento em destaque: análises menos convencionais.Maria Luisa M. Xavier e Maria Isabel H. Dalla Zen. Maria Bernadette Castro Rodrigues: “Planejamento: em busca de caminhos”. Porto Alegre: Mediação, 2001. P. 59-65 e 72-73.



segunda-feira, 7 de maio de 2018

Avaliação - mudança de concepções


O QUE SIGNIFICA AVALIAR?




Uma das tarefas que fazem parte do cotidiano escolar é a expressão das avaliações trimestrais. O momento de comunicar aos pais como o aluno se encontra em seu processo de aprendizagem. Os avanços alcançados e em que aspecto merece apoio para que ocorra progressão. É um trabalho burocrático, que se insere nas demais demandas do calendário escolar. No entanto, não podemos deixar de refletir sobre a importância deste processo e de como pode contribuir para o êxito da aprendizagem dos alunos ou, aprofundar situações de fracasso e exclusão escolar.
Com o objetivo de refletir sobre o processo de avaliações, compartilho alguns apontamentos de Jussara Hoffman sobre avaliar. Para a autora a avaliação deve ter como premissa um olhar sobre a singularidade de cada aluno, como segue:
Avaliar para promover cada um dos alunos é um grande compromisso que nos exige aprofundar o olhar sobre a sua singularidade no ato de aprender e, ao mesmo tempo, ampliá-lo na direção do grupo e das relações sociais. Olhares esses fundamentados em múltiplas referências de análise do processo de conhecimento. Hoffman, 2014.
A avaliação tem como principal instrumento a observação atenta do professor sobre o modo como o aluno pensa e age frente a desafios lançados em aula. Como se articula para defender suas ideias, como argumenta e formula suas respostas na interação com os colegas , de que forma usa os meios de informações disponíveis para responder aos seus questionamentos.
Avaliar competências significa observar o aluno em sua capacidade de pensar e agir eficazmente em uma situação, buscando soluções para enfrentá-la, apoiado em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles. O aprender envolve vários aspectos: situações interativas (discussão com outros colegas, com os professores, com os familiares), engajamento pessoal (desejo de descobrir, de conhecer) e a busca de conhecimentos em momentos sucessivos e complexos (buscar em diferentes fontes – livros, revistas, jornais, Internet, outras pessoas – aprofundar-se cada vez mais no assunto). Hoffman, 2014.
Para construir este olhar sobre o aluno, não basta aplicar instrumentos que meçam as aprendizagens como provas ou testes padronizados. È necessário criar situações em aula com o intuito de observar como aluno constrói suas hipóteses, como argumenta, como formula suas perguntas.
Avaliar é essencialmente questionar. É observar e promover experiências educativas que signifiquem provocações intelectuais significativas no sentido do desenvolvimento do aluno. Dessa forma, as tarefas e testes mudam radicalmente de lugar e de importância no contexto escolar. Enquanto na avaliação classificatória esses instrumentos ocupam o lugar de verificar, comprovar o alcance de um objetivo ao final de um estudo, de um determinado tempo, na visão mediadora, ao contrário, elas assumem o caráter permanente de mobilização, de provocação. Professores e alunos questionam- se, buscam informações pertinentes, constroem conceitos, resolvem problemas. Avaliar é, então, questionar, formular perguntas, propor tarefas desafiadoras, disponibilizando tempo, recursos e condições aos alunos para a construção das respostas. Hoffman, 2014.
Avaliar desta forma, não é ponto final, é ponto de partida. É a partir deste olhar sobre a singularidade da evolução de cada aluno e do reconhecimento do percurso evolutivo de cada aluno que será ajustado o percurso, propondo novas situações de aprendizagem que atendam a progressão de todos.
A continuidade da ação pedagógica tem por referência, assim,  um olhar amplo e multidimensional do professor acerca do processo vivido pelos alunos, seus interesses, avanços e necessidades. A intervenção pedagógica do professor será mais consistente e significativa à medida que ele se questionar permanentemente sobre a trajetória de cada um, procurando ampliar e complementar seu entendimento sobre os seus percursos evolutivos, sem deixar de observar todo o grupo, ajustando suas ações educativas à multiplicidade de referências que a aprendizagem acarreta. Hoffman, 2014.

Refletindo sobre o texto de Hoffmann e analisando as evidências que presenciamos no cotidiano escolar concluímos que a avaliação classificatória, autoritária  e excludente  ainda é muito presente. Para transformar a avaliação em diagnóstico do que deu certo no planejamento inicial e que deverá ser reformulado para futuros planos docentes é prioritário avaliar a própria prática para superar-se e garantir a mediação da aprendizagem a todos. Este processo deve ser mediado pelo método dialógico de ensino valorizando  conhecimentos prévios dos alunos, proporcionando como fundamento da prática  a dialogicidade, a construção do conhecimento pela ação do aluno, tornando a  avaliação  um processo contínuo. Avaliando não somente as repostas, mas o acompanhamento das aprendizagens pela ação total do aluno, suas perguntas, as dúvidas que são bases para pesquisas, o interesse nas atividades propostas

(Leia o texto completo em HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do caminho. 15. ed. Porto Alegre: Mediação, 2014. p.63-83 – trecho adaptado pela autora)