sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Ensino e anti-racismo




  
PEAD EIXO VI
 O ensino e o anti-racismo





No Brasil convivemos com o mito da democracia racial que revela o pior tipo de racismo, o racismo velado. O mito da democracia racial que produz nuances de racismo velado nas brincadeiras , na naturalização de apelidos depreciativos e na aceitação da discriminação dissimulada. Para construir ações afirmativas eficazes, precisamos refletir sobre as manifestações do racismo no contexto social.

Para embasar estas reflexões precisamos ter clareza sobre o conceito a experiência do racismo que, Segundo Ellis Cashomre,

É um fenômeno ideológico complexo cujas manifestações , embora variadas e diversas, estão ligadas à necessidade e aos interesses de um grupo social de conferir-se uma imagem e representar-se . O racismo engloba as ideologias racistas, as atitudes fundadas em preconceitos raciais, comportamentos discriminatórios, disposições estruturais e práticas institucionalizadas que atribuem características negativas a determinados padrões de diversidade significados sócio negativos aos grupos que os detêm, resultando em desigualdade racial, assim como na noção enganosa de que as relações discriminatórias entre grupos são moral e cientificamente justificáveis. O elemento central desse sistema de valores é de que a raça determina o desenvolvimento cultural dos povos.Deles derivam aas alegações de superioridade racial. O racismo, enquanto fenômeno ideológico, submete a todos e todas, sem distinção, revitaliza e mantém sua dinâmica de evolução de sociedade e das conjunturas históricas..

Esta preocupação em expressar com clareza o racismo como fenômeno ideológico, que ocorre como produção de um grupo em contexto histórico e denunciar com objetividade a finalidade deste que é a naturalização da desigualdade e da opressão de um grupo de pessoas pelo grupo dominante. A revisão do  conceito é instrumento  para denunciar o que ocorre no interior das escolas e para possibilitar a reflexão e o debate para fomentar o anti- racismo.



1.2 O ensino e o anti-racismo[1]

A questão do racismo deve ser apresentada à comunidade escolar de forma que sejam permanentemente repensados os paradigmas, em especial os eurocêntricos, com que fomos educados. Não nascemos racistas, mas nos tornamos racistas devido a um histórico processo de negação da identidade de todo esse processo, mostrando a resistência dos africanos e seus descendentes, que não se submeteram à escravidão, que se rebelaram e que conseguiram manter vivas as suas tradições culturais.  Estabelecer um diálogo com este passado por meio de pesquisas, de encontros com a ancestralidade, preservada ou reinventada, é fundamental no sentido de não hierarquizarmos, idealizarmos ou subestimarmos as diversas motivações/manifestações sócio políticas que dele fizeram parte.



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