segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Preconceito Racial nas Escolas - Busca de ações Afirmativas


PEAD EIXO VI
Preconceito racial nas escolas
Busca de Ações Afirmativas






 Realizei uma enquete com as certezas e dúvidas elaboradas para investigação relativa ao Preconceito Racial nas escolas[1]. O que fundamentou esta investigação foi o relato de um aluno negro, que enfrentou uma situação de preconceito racial protagonizada pela diretora da escola. Este menino foi transferido para a escola em que atuava com professora alfabetizadora. A agressão estava presente em sua memória evocando sentimentos de tristeza e revolta.

Na análise de resultados os participantes concordam que existe preconceito racial na escola, um dado importante, pois as ações afirmativas iniciam com a percepção de que a discriminação e o preconceito racial permeia as ações no interior destas instituições.

A reflexão sobre os dados apresentados na enquete apontam para algumas questões importantes para que a superação deste contexto de discriminação e preconceito sejam superados. Para efetivar as mudanças necessárias em práticas pedagógicas e realmente promover a afirmação de identidades, as ações na escola precisam estar fundamentadas na formação continuada dos professores. Estas formações devem estar voltadas para a pesquisa de documentos que explicitem  o contexto em que foram alicerçadas concepções racistas e preconceituosas. , alguns documentos como a  pesquisa que teve como campo de estudo a cidade do Rio de Janeiro, realizada pelo sociólogo Luiz Aguiar Costa Pinto,  intitulada “O Negro no Rio de Janeiro: Relações de raças numa sociedade em mudança.”[2]



 [...] o preconceito e a discriminação atuam fundamentalmente no sentido de reconduzir ao seu lugar o negro que historicamente sai desse lugar, o lugar que tradicionalmente ocupava no sistema de relações sociais, lugar que a ideologia do grupo socialmente dirigente e etnicamente diferenciado considera próprio, natural, biologicamente justificado - tão próprio, natural e biologicamente justificado quanto o seu de grupo dominante7.



A formação de professores para as questões étnico raciais, que deve estar presente nos cursos de formação, em formações continuadas ou em serviço, deve possibilitar uma leitura da historicidade que deu origem à visões discriminatórias mas também possibilitar a reflexão sobre a construção da identidade negra e o contexto em que ela se insere, como afirma Gomes [3]:



“ Compreender a complexidade na qual a construção da identidade negra está inserida, sobretudo quando levamos em consideração a corporeidade e a estética, é uma das tarefas e desafios colocados para os educadores. Deveria, também, ser uma das preocupações dos processos de formação de professores quando estes discutem a diversidade étnico-cultural.” GOMES, 2003. P. 173,174



A  formação de professores é apenas um dos fatores para realizar mudanças de concepções e posturas e possibilitar a afirmação da identidade negra. As ações no interior da escola devem ter respaldo em projetos das redes de ensino, ou seja, deve ser uma linha de ação das mantenedoras de escolas públicas, articular projetos que visem a reflexão sobre estas questões. Neste sentido, cabe a elas, propor formações e debates, articular com movimentos sociais a troca de informações e estabelecer parcerias entre escola e estes  movimentos  organizados para o fortalecimento de ações afirmativas.

“A sustentabilidade das experiências tem relação com fatores inerentes às redes de ensino públicas e às próprias instituições de ensino. Todavia, é possível afirmar que as escolas que estão desenvolvendo suas experiências articuladas com os Núcleos de Referências das Secretarias Municipais e Estaduais de Ensino e com os Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e que, internamente, desenvolvem processos de planejamento que envolvem coletivamente os professores e os gestores, tendem a produzir experiências pedagogicamente mais significativas e sustentáveis.” .” Santana , Luz e Silva; 2013[4]



Através da formação dos professores, da articulação das mantenedoras poderemos superar concepções e ações discriminatórias de segregação e negação , possibilitando  ações afirmativas no interior das escolas.



“A escola pode ser considerada, então, como um dos espaços que interferem na construção da identidade negra. O olhar lançado sobre o negro e sua cultura, na escola, tanto pode valorizar identidades e diferenças quanto pode estigmatizá-las, discriminá-las, segregá-las e até mesmo negá-las” GOMES, 2003. P. 170,172.[5]





[2]O Negro no Rio de Janeiro: Relações de raças numa sociedade em mudança.” Luiz Aguiar Costa Pinto
[3] Educação, identidade negra e formação de professores/as: um olhar sobre o corpo negro e o cabelo crespo” Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n.1, p. 167-182, jan./jun. 2003,
Nilma Lino Gomes


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Sobreviventes - Escola e construçao da identidade Negra


PEAD EIXO VI

“Sobreviventes” 
Escola e construção da identidade Negra


O documentário “ Sobreviventes”[1] traz pessoas em situações limites. Em primeira pessoa os personagens fazem suas narrativas e nos provocam com suas histórias. O Vídeo escolhido serve como instrumento para reflexão sobre nosso papel na educação Sócio emocional dos alunos. Que memórias queremos produzir em nossos alunos! Como queremos impactar suas vidas?
A sala de aula extrapola os objetivos pedagógicos curriculares é espaço de interações, de acolhimento e hospitalidade que favorecem a autonomia e autoestima do aluno; ou lugar de opressão e dominação que gera sofrimento e passividade. Para pensar!!
“A escola pode ser considerada, então, como um dos espaços que interferem na construção da identidade negra. O olhar lançado sobre o negro e sua cultura, na escola, tanto pode valorizar identidades e diferenças quanto pode estigmatizá-las, discriminá-las, segregá-las e até mesmo negá-las”[2] GOMES, 2003. P. 170,172



[1]  Documentário “Sobreviventes “ Direção: Miriam Chnaiderman , Reinaldo Pinheiro
2bchnaiderman%2bsobreviventes%26form%3dEDGEAR%26qs%3dPF%26cvid%3dc41eb1c0c54f4a4da62f407af90ad9f3%26cc%3dBR%26setlang%3
dpt&view=detail&mmscn=vwrc&mid=B26A0F7C34C76E035E2BB26A0F7C34C76E035E2B&FORM=WVFSTD

[2] Educação, identidade negra e formação de professores/as: um olhar sobre o corpo negro e o cabelo crespo” Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n.1, p. 167-182, jan./jun. 2003,
Nilma Lino Gomes











segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Discriminação Racial nas Escolas




PEAD EIXO VI
Preconceito racial das escolas



A discriminação racial é o racismo e o preconceito materializado em ações e condutas que desqualificam e inferiorizam um grupo em detrimento do outro”.p.22 SOUZA E CROSSOL,2007[1]

Na atividade proposta para o Seminário Integrador VI , iniciamos com a análise de uma situação de Preconceito Racial na Escola .A descrição da agressão vivenciada trouxe a reflexão sobre o cotidiano escolar  onde presenciamos muitas falas e práticas que revelam a gravidade das atitudes discriminatórias.


Os alunos vítimas do preconceito racial muitas vezes são vítimas também e com mais gravidade da omissão dos professores que não denunciam este tipo de agressão. Em pesquisa realizada em salões de beleza  a pesquisadora Nilma expõe alguns  relatos de preconceito racial no ambiente escolar. Segue abaixo depoimento da Menina N, em pesquisa realizada pela autora Nillma Lino Gomes [2]:

- N.: Quando eu era mais nova eu ia pra escola e eu tinha o cabelo de trancinha. Eu me lembro de uma vez, estava na quarta série... Ai, meu Deus, eu não esqueço!...., tem coisa que marca, a gente não esquece. Eu estava na aula, então, eu usava trancinha. Um dia minha mãe resolveu tirar minha trancinha e alisar meu cabelo. Eu alisei meu cabelo, eu lembro como se fosse hoje. Eu lembro, minha mãe alisou... foi no salão, alisou, ficou assim, balançando ao vento. Ficou lindo meu cabelo, maravilhoso! Só que eu fiquei com vergonha de sair do salão com o cabelo, porque estava bonito, eu fiquei com vergonha, porque estava bonito e ia chamar a atenção. Então eu fui pra aula. Eu sempre sentei mais perto da primeira carteira, só que eu sentava perto da janela. Eu quase entrei dentro do armário pra ficar escondida, por causa do cabelo. E tinha um menino branquinho, o Leonardo, lindo, do olho azul, branquinho, que sentava na primeira carteira. Eu parti o cabelo de lado, coloquei um passadorzinho com umas pedrinhas de strass . O pessoal olhou, lógico que iam reparar, eu tinha o cabelo de trancinha e eles falaram assim: “Nossa, você está diferente hoje, arrumou o cabelo!”. E um menino falou: “Ficou mais feia ainda”. Aquilo foi a morte, depois que ele falou aquilo, nem pra aula eu queria ir mais. Não queria ir pra aula. GOMES, 2003. P.177.


Sabemos que as leis e diretrizes da educação para a Diversidade e Das Questões étnico Raciais evoluíram nas últimas décadas, entretanto no cotidiano escolar há muito a construir para que o respeito, a valorização da diversidade e a afirmação das identidades ocorram. O preconceito velado e mascarado em discursos de respeito e inclusão surge nas ações discentes e docentes.





[1]  Igualdade nas relações étnico-raciais na escola: possibilidade e desafios para a implementação da Lei 10.639/2003”. Coordenadoras Ana lucia Silva Souza e Camila Crosol. Editora Fundação Peirólpolis. São Paulo 2007.

[2] Educação, identidade negra e formação de professores/as: um olhar sobre o corpo negro e o cabelo crespo” Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n.1, p. 167-182, jan./jun. 2003,Nilma Lino Gomes. Disponível em LINK.: http://www.revistas.usp.br/ep/article/view/27905


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Dificuldades de aprendizagem




               
PEAD EIXO VI



Dificuldades de aprendizagem/Transtorno de aprendizagem / Deficiência Intelectual

Conceitos teóricos como fundamento para Intervencões pedagógicas



Algumas expressões que utilizamos no contexto escolar estão repletas de estereótipos e preconceitos. Algumas frases são baseadas no senso comum, fundamentam posturas e ações pedagógicas ou a falta de investimentos pedagógicos nas possibilidades e habilidades do aluno, naturalizando o fracasso escolar. Uma frase muito repetida nos corredores da escola: “ - Este aluno tem problema de aprendizagem”. “ – Ele não aprende”. O aporte teórico nos prepara para refletir sobre estes termos e expressões e instrumentalizar a ação pedagógica para que seja fundamentada nas intervenções pedagógicas eficazes. Com este objetivo, segue o conceito  de alguns autores: dificuldade de aprendizagem, transtorno de aprendizagem e deficiência intelectual.


A definição dificuldade de aprendizagem é de uso comum por professores e equipes escolares e caracteriza a não aprendizagem ou o fracasso escolar tanto de crianças como de adolescentes. É um tema de interesse de estudo de diversos profissionais interessados na busca de uma definição dos fatores que interferem diretamente no sucesso escolar1.

A dificuldade de aprendizagem é entendida como uma heterogeneidade de sintomas com uma origem neurológica ocasionando um baixo rendimento acadêmico em diversas áreas de conhecimento. Não estão incluídas deficiências motoras, sensoriais e mentais no conceito de dificuldades de aprendizagem2.


A deficiência intelectual (DI) é uma categoria diagnóstica de etiologia, caracterização e avaliação bastante complexas1. É caracterizada por limitações significativas tanto no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, que abrange uma gama de habilidades sociais e práticas cotidianas, que deve ocorrer antes dos 18 anos2.

A CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª edição)3 define o transtorno como Retardo Mental; no entanto, a CID-11 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 11ª edição) utilizará o termo Desordem do Desenvolvimento Intelectual. Como o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais)4 já se encontra em vigor e nomeia como Deficiência Intelectual, optou-se por utilizar este termo no presente trabalho.

É um dos transtornos neuropsiquiátricos mais comuns em crianças e adolescentes e sua taxa de prevalência fica entre 1% a 3% da população jovem5-7. No Brasil, estima-se que 1,6% da população seja acometida8.

A DI é conceituada como um transtorno com início no período do desenvolvimento que inclui déficits funcionais, tanto intelectuais quanto adaptativos, nos domínios conceitual, social e prático. Três critérios devem ser preenchidos: A – Déficits em funções intelectuais; B – Déficits em funções adaptativas; C – Início dos déficits intelectuais e adaptativos durante o período do desenvolvimento4.




O transtorno de aprendizagem não deve ser utilizado como sinônimo de dificuldade de aprendizagem, uma vez que a dificuldade é um termo mais global e abrangente, com causas relacionadas com o sujeito que aprende, com os conteúdos pedagógicos, com o professor, com os métodos de ensino e, até mesmo, com o ambiente físico e social da escola; enquanto que o transtorno de aprendizagem se refere a um grupo de dificuldades mais difíceis de serem identificadas, mais específicas e pontuais, caracterizadas pela presença de uma disfunção neurológica, que é responsável pelo insucesso na escrita, na leitura e no cálculo matemático3,4.

Assim, o transtorno de aprendizagem pode ser caracterizado pela presença de disfunção neurológica ou hereditária, que é responsável pela alteração do processamento cognitivo e da linguagem, causada por um funcionamento cerebral atípico. Como consequência dessa disfunção, a forma como crianças com transtorno de aprendizagem processam e adquirem informações é diferente do funcionamento típico de crianças sem dificuldades em fase de aprendizagem escolar. Sendo assim, o transtorno de aprendizagem pode se manifestar nas áreas acadêmicas que necessitam de decodificação ou identificação de palavras, como leitura, compreensão de leitura, raciocínio matemático, atividades de soletração, escrita de palavras e textos.





[1]  .Avaliação de crianças com indicação de dificuldades de aprendizagem pelo instrumento NEUPSILIN-Inf,Ariane Bizzarri Costa Pires1; Adriana Nobre de Paula Simão2 Artigo Original - Ano 2017 - Volume 34 - Edição 104

[2] Avaliação de preditores de risco para deficiência intelectual,Erlaine Chaves Machado Vieira1; Silvyo David Araújo Giffoni2. Artigo Original - Ano 2017 - Volume 34 - Edição 104  


[3] Cláudia da SilvaI; Simone Aparecida CapelliniII, “Desempenho de escolares com e sem transtorno de aprendizagem em leitura, escrita, consciência fonológica, velocidade de processamento e memória de trabalho fonológica”. Rev. psicopedag. vol.30 no.91 São Paulo  2013

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Educaçao Inclusiva e Formação Continuada


PEAD EIXO VI

Educação Inclusiva

                       Reflexões sobre a formação continuada

                “Interface entre a Clínica e a Escola”

Temos acompanhado um amplo debate sobre Educação Inclusiva. Debates que ocorrem na academia, nas formações continuadas de professores e no interior das Escolas. E precisamos falar, estudar e voltar ao assunto muitas vezes. Como afirma Izabel Maior [1], citando provérbio antigo: água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

A Educação Inclusiva para ser construída e efetivar-se nas práticas pedagógicas exige formação continuada, esta leitura do processo histórico da Inclusão, assim como os Avanços e desafios da sala de aula Inclusiva. Precisamos entender mecanismos excludentes que permeiam a Instituição escolar. Refletir sobre as consequências causadas pelas barreiras atitudinais como preconceito, discriminação e estigmas, que são mais segregadoras e cruéis que as barreiras arquitetônicas.

Com este propósito, em 2017 o CEMEI - Centro de Educação Inclusiva - disponibilizou a formação “ Interface entre a Clínica e a Escola”.[2] Participei da formação, foram aulas presenciais pontuadas pela troca de experiências entre professores da rede municipal e profissionais do CEMEI complementadas pelas  atividades em EAD. Conforme ementa segue o objetivo do curso:

            Aproximar o fazer da clínica ao do profissional que atua diretamente com os alunos público-alvo da Educação Especial na perspectiva Inclusiva, favorecendo a troca de experiências e saberes ao fomentar a discussão acerca dos processos inclusivos, abordando aspectos teóricos e práticos.

Foram disponibilizados os seguintes Módulos:

Fundamentos da Educação Inclusiva:

Aspectos Legais, Históricos e Psicossociais da Educação Inclusiva

Contribuições da Clínica para a Escola: Aspectos do Desenvolvimento Cognitivo

Contribuições da Clínica para a Escola: Fatores de Proteção e Risco no desenvolvimento Psicológico da Criança e Adolescente

Contribuições da Clínica para a Escola: As contribuições da Fisioterapia no Ambiente Escolar

Interlocução Pedagógica

Contribuições da Clínica para a Escola: As Contribuiçoes da Fonoaudiologia no Ambiente Escolar

AEE Atendimento Educacional Especializado: Tecnologia Assistiva e Comunicação Aumentativa e Alternativa
       Concluída a formação de 40 horas, percebo que esta contemplou o objetivo de lançar uma reflexão sobre as possibilidades da Educação Inclusiva. Para entendermos a importância destes espaços de estudo, reflexão e troca de experiência cito a afirmação de DUZIK, 2017:

O respeito e a valorização  da diversidade humana efetiva-se por meio do deslocamento do verbo integrar,a simples união de diferentes grupos, sem um projeto que institua uma nova percepção para a diferença, para o verbo incluir, como um movimento que efetiva-se por meio de políticas públicas que projetam e constroem a ação para o pertencer. Para que a integração se configure em uma prática de inclusão, é precisos bases teóricas de respeito à heterogeneidade, é necessário que suportes técnico metodológicos para que a mediação com a diferença sejam discutidos e apropriados pela sociedade em sua totalidade , em especial por educadores e gestores de sistemas escolares contemporâneos.



[1] Vídeo Deficiências e Diferenças com Izabel Maior e Benilton Bezerra https://www.youtube.com/watch?time_continue=1027&v=29JooQEOCvA

[2] LINK para o Curso” Interface entre a Clínica e a Escola”http://ead.esteio.rs.gov.br/course/view.php?id=10

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Refletindo sobre os desafios da Educação Inclusiva


PEAD EIXO VI

Reflexões sobre Inclusão/Exclusão
Preconceito e discriminação no contexto Escolar
Origens históricas


Refletindo sobre Educação Inclusiva


O texto apresentado por AMARAL, 1998, expõe de forma didática o surgimento de preconceitos e estigmas relativos ao aluno portador de deficiências  no contexto escolar. A autora cita entre outros processos, a patologização do desvio e a definição de estigmas; como ocorre a legitimação de preconceitos e a discriminação.

A educação formal no contexto escolar foi historicamente construída com o objetivo de padronização e de homogeneização das crianças. Esta concepção de educação da igualdade, no sentido de negação da diferença, da busca pela padronização, do homogêneo, levou muitas crianças ao fracasso escolar, pois baseava o sucesso em modelos de desempenho. Esta visão  ocasionou a culpabilização das crianças pelo insucesso na vida escolar causando altos índices de repetência e evasão nos anos 70.

Esta marca histórica da Educação, anterior a luta pela Educação Inclusiva, ainda tem suas marcas na visão de muitos professores. A educação no Brasil ao ser democratizada, levou todos à escola, mas não a preparou para receber esta demanda. Foi uma democracia de acesso, mas não de permanência ou de acolhimento.

Desta forma, temos na origem da Educação Escolar, a busca pela homogeneização, a culpabilização dos alunos pelo fracasso e a consequente busca pela medicalização como forma de superação. Faço esta retrospectiva histórica, pois percebo que os preconceitos e estigmas que são vivenciados e arraigados hoje nas escolas, têm sua origem nesta busca pela homogeneização de todos os alunos. Como se houvesse um mito de “facilidade” em educar alunos mais dóceis, com desempenho esperado pelos professores baseados em modelos de eficácia. Ou de um ideal de alunos que aprendem com mais facilidade, ou seja, exigindo um mínimo investimento do professor. AMARAL ao  expor os parâmetros utilizados para definir a diferença ou anomalia ,cita os protótipos ideologicamente construídos.  Faço uma comparação entre este mito e os protótipos ideologicamente construídos citados por AMARAL a  aproximação ou semelhança com essa idealização em sua totalidade ou particularidades é perseguida, consciente ou inconsciente por todos nós, uma vez que o afastamento dela caracteriza a diferença significativa, o desvio, a anormalidade. O fato de que muitos e muitos de nós embora não corresponde a este protótipo ideologicamente construído o utilizamos em nosso cotidiano para a categorização/ validação do outro.

Este mecanismo que ocorre em muitas escolas  legitima preconceitos e gera discriminações. AMARAL cita  Gofffman(1982) para definir estigma ( marca, sinal): estigma esse imputado aquelas pessoas  que se afastam da idealização corrente em determinado contexto.

As atitudes diante dos alunos portadores de deficiência, na maioria das vezes são as generalização indevida e correlação linear, ou seja,  transforma-se o aluno portador de deficiência na própria deficiência ou procura-se estratégias pedagógicas que tiveram eficácia com outro grupo.

No cotidiano escolar, ao atuar com alunos portadores de deficiência  percebo que realmente as grandes barreiras que preciso vencer são as atitudinais. Os alunos não são o que expressam seus laudos, um aluno não é o Transtorno Global de Desenvolvimento, ele é um aluno com habilidades e muitas possibilidades. Um aluno com Déficit Cognitivo não é o Déficit Cognitivo ele é um aluno com potencialidades e possibilidades. Desta forma, busco em minha prática pedagógica que as estratégias com alunos portadores de deficiência sejam pautadas na ação que realiza com todos os alunos da turma: investimentos em suas potencialidades.

Para finalizar esta reflexão, cito a definição de SASSAKIi sobre Inclusão , onde pontua a necessidade de mudarmos , para vencermos discriminações e preconceitos construídos em relação ao aluno portador de deficiência :

Inclusão é você mudar a sociedade, derrubar barreiras, tirar obstáculos mudar atitudes, mudar sistemas, para que qualquer pessoa,  tenha deficiência ou não, ou qualquer que seja a deficiência, possa fazer parte da sociedade, sem precisar provar nada.

  
Referências:
Micotti, M.C. O. “O ensino fundamental: políticas públicas e práticas pedagógicas”,São Paulo. Contexto,2009

AQUINO , Julio Groppa . Diferenças e preconceito na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summos, 1998