domingo, 24 de julho de 2016


CHIMAMANDA




    
 Histórias tem sido usadas para expropriar e tornar maligno. Mas histórias podem também ser usadas para capacitar e humanizar. Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias podem também reparar esta dignidade perdida.  Chimamanda Adichie



A Interdisciplina LIBRAS ( Língua Brasileira de Sinais) possibilitou uma variedade de aprendizagens disponibilizando importante acervo sobre  a temática da disciplina. .Entre as leituras sugeridas destaco um Vídeo  que  trouxe muitas reflexões,“O perigo de uma história única “ de Chimamanda Adichie. A autora nigeriana, ao  fazer o relato de sua história pessoal , analisa o poder das histórias de criar estereótipos e definir distorções de identidades.

Vídeo:" O perigo de uma história única" : Disponível em :
Descrevendo a atitude de sua colega americana, ao ficar surpresa com seu  domínio do idioma e preferências musicais  quando Chimamanda  chega para estudar nos EUA, faz uma definição do que chama de arrogância bem intencionada:

Minha colega de quarto tinha uma única história sobre a África. Uma única história de catástrofes. Nessa única história não havia possibilidades de os africanos serem iguais a ela, de jeito nenhum. Nenhuma possibilidade de uma conexão como humanos iguais.

Relatando esta visão da colega e outras situações de sua origem Nigeriana, a autora define o poder das histórias para distorcer identidades e criar estereótipos, oprimindo a real identidade de um povo ou grupo. Neste sentido afirma:

            Poder é a habilidade de não só contar a história de outra pessoa, mas de fazê-la a história definitiva daquela pessoa.

Ao finalizar sua fala Chimmanda, ressalta a importância das histórias também para o resgate da identidade de um grupo:

Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias podem também reparar esta dignidade perdida.

O vídeo promocional da Coca-cola no Oriente Médio “ Rótulos são para  latas, não para pessoas ”, traz uma reflexão sobre o poder dos estereótipos para definir  distorções na identidade das pessoas.

Vídeo Coca-cola disponível em : https://www.youtube.com/watch?v=kbZLsCKDkMM

            Importante reflexão para levarmos ás escolas e questionar o perigo de definirmos a identidade das crianças pelo que enfatizamos em suas histórias.  Estes vídeos nos ensinam a  considerar as possibilidades e potencialidades dos alunos, de aprendizagem e construção de conhecimento, e da importância da ética ao respeitarmos neste mesmo aluno, suas singularidades.  Afinal temos, como afirma Chimamanda ,  este enorme poder de reparar e resgatar a dignidade perdida.


1.Conteúdo relacionado ao vídeo “ Rótulos são para latas, não para pessoas”.

2. Conteúdo relacionado ao vídeo:  “O poder de uma história única”
2.        2.1 Sinopse do Vídeo no Blog “Por dentro da África”. Disponível em:

2.2  Artigo relacionado ao vídeo.   ALVES, Almeida Iulo, ALVES, Tainá  Almeida. O perigo da história única: diálogos com Chimamanda Adichie.  Trabalho apresentado no I Ciclo de Eventos Linguísticos, Literários e Culturais, realizado na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Campus Jequié, Seção F: A abordagem social das identidades culturais

2.3  Matéria publicada na Revista Época:

2 4  Transcrição da Palestra de Chimamanda Adchie . disponível em :





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sábado, 23 de julho de 2016

Para gostar de ler 

Figura 01 Menina lendo.


Agora Deus passeava pelos céus todo sorrisos, porque afinal, sabe, Deus não se sentia mais só. Não eram as histórias que estavam faltando na criação, mas sim, e de modo mais específico, os humanos expressivos que pudessem contá-las. ESTÉS, 1995, página 19

Uma pergunta que mobiliza os professores do Ensino Fundamental: como fazer a criança gostar de ler? Como atrair a criança para a leitura? Encontrei uma citação de Rubem Alves em entrevista à Viviane Mosé , ele afirma o seguinte:


Lá na Escola da Ponte encontrei um lugar em que estava escrito: “Direitos e deveres das crianças em relação aos livros.” O primeiro direito me deu um susto tão grande, porque era tão óbvio. E eu gosto tanto desse que nem li os outros. O direito é o seguinte: nenhuma criança deve ler um livro de que não gosta, porque, se você lê um livro de que não gosta o que vai acontecer? Você não vai aprender o livro, vocês vão odiar o livro. Você vai aprender para responder na prova, mas vai esquecer logo, você não vai aprender a coisa importante, que é amar o livro. As pessoas me perguntam o que fazer para criar o hábito da leitura. Nada. Hábito é cortar as unhas, escovar os dentes, tomar banho. São automatismos. E a leitura nunca pode ser um exercício de automatismos. Em relação aos livros, você tem que criar o amor, a leitura tem de ser um exercício de prazer, de gozo. RUBEM ALVES.

Começo o texto com esta citação, muito extensa dirão alguns, mas não quis perder nada do seu conteúdo. Pois é nisto que acredito. Para gostar de ler é preciso encantar as crianças. Através de estratégias de leitura conduzi-los ao encantamento das palavras.
Para este desafio podemos, como pais, começar a valorizar uma atividade muito simples, contar histórias aos filhos ainda pequenos. Aquele momento antes de dormir em que é preciso silenciar, voltar à calma é um ótimo convite à leitura. Algumas crianças muito pequenas ficam assistindo TV até altas horas da noite. Se tivermos a calma necessária para pegar um livro e contar algumas histórias. Esta ação vai aos poucos, introduzindo a criança neste encantamento das narrativas.
Como professores, também esta simples ação, contar histórias. Mas em primeiro lugar escolher histórias que nos tocam que tem um significado. Assim quando contarmos a nossa voz estará contaminada pela nossa convicção e encantamento. E para a contação utilizar o recurso de nossa voz, de nossas expressões e gestos. Assim ao narrar um avião que decola, nossos braços flutuam no ar, ou uma cobra que rasteja, os braços ondulam na mesa. E a voz vai acompanhando as modulações da história: o gigante fala com sua voz potente e a bruxa sorri com riso estridente, e vamos com as entonações marcando as falas e narrativas. E acompanhando com  estes movimentos a expressão do rosto que hora expressa o espanto da menina com olhos arregalados e boca aberta, hora acompanha o movimento do corpo que pula de alegria. Este é um recurso que todos temos, basta colocar em ação, os alunos vão acompanhar sua narrativa com olhos atentos e muitos sorrisos.
            Para gostar de ler a criança precisa ouvir muitas histórias e encantar-se com elas.

Referências:
ESTÉS, Clarissa Pinkolas, O jardineiro que tinha fé. Uma fábula sobre o que não pode morrer nunca, as histórias. Rio de Janeiro, ROCCO,1996.


        MOSÉ, Viviane.A escola e os desafios contemporâneos. Org. e apresentação Viviane Mosé- 5ª ed. –Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,2015.




A felicidade das borboletas


Figura 01 Capa do livro a felicidade das borboletas.

Quem conta um conto, mais do que contar um conto reforça ou questiona estereótipos, crenças e verdades do senso comum. Quando lemos para as crianças ou proporcionamos aos alunos materiais de leituras, estamos propondo uma leitura que vai além do enredo da história, propomos uma leitura de mundo e dos valores que a cultura impõe.
Ao escolher o material de leitura, seleciono com base em  minhas crenças pessoais e do que considero importante para as crianças. Desta forma minha escolha não é isenta. Ao escolher o que ler e como ler seleciono o que me impacta, o que me move e como percebo  que este material poderá impactar os alunos.
Dessa forma, percebendo a necessidade de estabelecer novos padrões de convivência onde haja maior aceitação de todos, com suas possibilidades, potencialidades e diferenças, escolhi para está análise o livro: A felicidade das borboletas.
O livro conta a história de uma menina portadora de deficiência visual que se torna bailarina.  No entanto a descrição da personagem não é marcada pela fragilidade ou impotência, pela falta de, mas pela capacidade de ver com outras possibilidades, como o tato. A história pontua a possibilidade de Marcela conhecer e ver o mundo com seus sentimentos. Mais do que afirmar a participação da personagem na apresentação do balé como superação de uma deficiência, a narrativa quase poética, mostra que Marcela possui medos e incertezas como toda criança e é capaz de superá-lo pela amizade das colegas.

  Marcela nasceu cega. Nunca viu o pôr-do-sol ou as cores de um jardim florido... Mas conhece o sorriso de seus pais e o abraço de seus amigos, pois Marcela é muito querida e amada. Como toda criança, Marcela gosta de brincadeiras, de boneca, de bicicleta, de parquinho, de música, de piscina e muito mais. E, também como toda e qualquer criança, precisou de ajuda para ganhar confiança, para aprender coisas novas. Página 16

O livro mencionado foi a base de um projeto realizado com uma turma de 3º ano em 2015. Na turma havia um aluno portador de baixa visão que era demonstrava muito interesse  pelas histórias contadas pela professora. Após a leitura foram realizadas algumas vivências com os alunos utilizando vendas nos olhos : andar pela sala de olhos vendados com o comando de um colega, desenhar borboletas com vendas, retirar objetos de caixa surpresa com vendas e descrever o que era pelo tato. Após os alunos relataram seus sentimentos pelas vivências. Também foi proposto traçar um paralelo entre a história lida e as vivências da turma. Alguns relataram a importância da amizade, não somente para Marcela, mas para todos superarem seus medos.

Encontrei o livro disponibilizado pela Fundação Educar Dpaschoal,  no link.: http://www.educardpaschoal.org.br

Neste site encontrei uma coleção chamada Amigos especiais, com livros disponíveis para Dowload :






sexta-feira, 22 de julho de 2016

Parte III
Brincar é importante por quê?

Figura 01. Crianças brincando pelo mundo

Os JOGOS e o desenvolvimento de habilidades


          Começo com a provocação que deu origem ao texto: Brincar é importante? Por quê?
Acreditando na concepção de educação, que busca um aluno protagonista, desafiado a construir seu conhecimento através da ação, com criatividade e imaginação brincar é importante porque desenvolve muitas habilidades e competências proporcionando o desenvolvimento cognitivo, afetivo,, moral e social da criança .
Para que os jogos e brincadeiras sejam disponibilizados de forma a propiciar o desenvolvimento e raciocínio sociais, emocionais, morais e intelectuais, a postura do professor deve estar aliada a este prática. Ou seja, o trabalho pedagógico deve  buscar a autonomia do aluno, a valorização dos seus saberes, a construção a partir de conteúdos  significativos. Como afirma Delval ( 1998, p.147)citado por   Darli Collares:                                            
” Temos afirmado que a escola não  deve servir para a produção de indivíduos submisso, nem para a simples transmissão de conhecimentos concretos, mas que a sua função deve ser a de favorecer o desenvolvimento psicológico e social das crianças, contribuindo para que se tornem adultos livres e autônomos dentro da sociedade.” (DELVAL. 1998. P.147) citado por COLLARES

Buscando  desenvolver nas crianças  habilidades e competências , temos nos jogos e brincadeiras fortes aliados. Bruna Molozzi em Desenvolvimento do sujeito através do jogo afirma que:
O desenvolvimento social infantil está diretamente vinculado ao jogo, pois é através dele que a criança entra em contato com a realidade e é introduzida no mundo das relações sociais. As crianças jogam para conhecer a si mesmas e para ser reconhecida pelos demais, estabelecendo relações com o mundo e transformando os seus significados ( MOLOZZI).

Ao longo do texto a autora vai enumerando o desenvolvimento de diversas habilidades propiciadas pelos jogos: sociais entre elas, se descentrar superando o egocentrismo;  morais , o exercício da autonomia , e  intelectuais  com  aprendizados formais e não formais.

Moacir Costa Ferreira, na apresentação do livro “O Brinquedo através da história”, reitera a importância do jogo:

Sabemos que os jogos desempenham um papel que facilita a integração no meio, favorecendo o processo de ajustamento da criança ao convívio de outras. A atividade lúdica facilita, portanto a função socializadora,  que se aperfeiçoa com o passar do tempo . Os jogos de tabuleiro, como o xadrez e as damas, ajudam o crescimento da inteligência. Os passatempos e as mágicas elementares, além de práticas educativas, auxiliam o desenvolvimento intelectual da criança e do adolescente (FERREIRA, 1990, P.5-6).

Com as leituras sugeridas ficam evidentes as relações entre o jogo e o desenvolvimento de diversas habilidades. Mas minha reflexão volta-se para a realidade das escolas e de nossa responsabilidade de propiciar às crianças um espaço de brincadeiras como tivemos oportunidade de vivenciar. E de como este material disponibilizado pode fundamentar nossa postura frente a pais e colegas que não entendem a importância e abrangência do  brincar.




Referências:
COLLARES, Darli .O jogo no cotidiano da escola: uma forma de ser e estar na vida. Revista de Educação. Porto Alegre, Ano 8. Nº10,. Pág, 2 à 11. Outubro/2008.
DEVRIES, Rheta. O brincar no programa de educação infantil: Quatro intervenções páginas 27 à 49. Em O currículo construtivista na educação infantil: práticas e atividades. Porto Alegre: Artmed, 2004
           FERREIRA, Moacir Costa. O brinquedo através da história. São Paulo: EDICON, 1990.
            JOGOEDU. NUTED UFRGS. Módulo I -  Desenvolvimento do sujeito através do jogo.
Disponível em http://nuted.ufrgs.br/oa/JogoEdu/modulo1.html , visitado em 14 de julho de 2016.

 Figura 01. Disponível em : 




Parte II


Brincar é importante por quê?

Figura 01 Crianças brincando pelo mundo.

Leituras e reflexões 

Os textos propostos para leitura na Interdisciplina Ludicidade, ressaltaram aspectos das brincadeiras demonstrando que as mesmas são essenciais ao desenvolvimento. No artigo “A teoria da diversão”, publicado pela Revista Nova Escola, encontramos a concepção de alguns pesquisadores que se preocuparam em compreender como as crianças se relacionam e como produzem cultura.  Esses pesquisadores, através de suas concepções, mudaram os paradigmas da educação comprovando a importância do brincar, bem como ressaltando aspectos importantes como a liberdade das brincadeiras sem finalidades didáticas e as possibilidades das brincadeiras para desenvolver a autonomia das  crianças.  Dentre eles encontramos  Wallon, Piaget e Vigotsky  que, a partir desta investigação, afirmam que as crianças se expressam culturalmente através das brincadeiras. Wallon traz como contribuição a necessidade da criança pelo afeto e movimento. Piaget, por sua vez, estabeleceu como brincam as crianças em diferentes faixas etárias.  Vygotsky  trouxe a importância dos processos interpessoais para produção de cultura.
No livro “Concepções do brincar na Psicologia”, encontramos algumas abordagens teóricas sobre o brincar com ênfase neste campo de conhecimento.
A abordagem da psicanálise afirma que podemos expressar nossos desejos de forma simbólica quando brincamos. Neste conteúdo reaparecem nossos desejos insatisfeitos, nossas experiências dolorosas ou traumáticas. Pela brincadeira, as crianças recriam estas situações e passam a dominá-las.
Winnicot relacionando o brincar como expressão dos aspectos saudáveis do psiquismo afirma:
É a brincadeira que é universal e que é própria da saúde: o brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde, o brincar conduz aos relacionamentos grupais o brincar pode ser uma forma de comunicação na psicoterapia.”
Além das abordagens teóricas elencadas no livro, a obra aborda, ainda, a aplicabilidade prática das teorias apresentadas, tais como: a importância de introduzir brincadeiras na rotina da criança, seja no ambiente familiar ou escolar; a relevância de os adultos propiciarem momentos de brincadeiras de forma horizontal; ou seja, sem imposições,  garantindo às crianças ocasiões livres, onde brincam por si só; nesses momentos, os adultos devem  observar e mediar avanços  de acordo com a evolução de cada  período.  
            A interdisciplina Ludicidade promoveu a reflexão sobre a importância de tornarmos nossas aulas significativas, dando espaço para a fantasia e a imaginação das crianças. Possibilitar a criança criar e recriar os espaços, interagir, inventar brinquedos, jogar, descobrir outras formas de aprender. Estas possibilidades que dependem não de recursos materiais mas da postura do professor que passa a ser um mediador de vivências da criança, um desafiador, incentivador de suas potencialidades.

 REFERÊNCIAS:
CARVALHO, Alysson (et ali) Org. Brincar(es).Concepções do Brincar na Psicologia. Belo Horizonte. Editora UFMG. Pró-Reitoria de Extensão. UFMG,2005.

FERRARIS, Ana Oliveiro. Agitação que faz bem. Mente Cérebro. São Paulo: EDIOURO DUETTO EDITORIAL Ltda. Ano XVIII n° 216 jan/2011 (pp: 36-41)

 JOGOEDU. NUTED UFRGS. Módulo I -  Desenvolvimento do sujeito através do jogo.
Disponível em http://nuted.ufrgs.br/oa/JogoEdu/modulo1.html , visitado em 14 de julho de 2016.





Parte I
 Brincar é importante por quê?

Figura 01 . Crianças brincando pelo mundo.



Brincadeiras de minha infância

Neste semestre a Interdisciplina Ludicidade trouxe esta provocação. Respondermos a pergunta: Brincar é importante, por quê?  Como fio condutor da reflexão tivemos a proposta de recordar as  brincadeiras de infância.
 Sou de uma família de 7 irmãos . Tínhamos poucos recursos para comprar brinquedos, mas isto era mais um incentivo à imaginação. Rapidamente pedaços de galhos viravam animais do zoológico, ou parte da fazenda imaginária. Brincávamos de jogar bola, de polícia/ladrão, de roda, de pular corda, de nos pendurar em galhos, de balanço, de desafios como subir em uma árvore e descer pela outra, escalando galhos. E quando a noite chegava a brincadeira era de contação de histórias. Os irmãos maiores faziam desafios para ver quem contava a melhor história. As brincadeiras eram um desafio pois ali reuniam-se várias idades e todos tinham o mesmo objetivo: a diversão.
Impossível não mencionar as "ruas de lazer" . Eram momentos nos domingos quando algumas ruas tinham o tráfego de veículos interrompido e eram invadidas pela criançada e adolescentes com skates e carrinhos de lomba. E então nos aventurávamos nos carrinhos de madeira , com rolamentos servindo de rodas feitos pelos irmãos maiores.
Não tínhamos a noção de que ali estavam às bases para nosso desenvolvimento intelectual, moral e social. Que nas brincadeiras estávamos aprendendo e nos desenvolvendo.

Se você está preocupado com as férias e o que fazer com as crianças em casa, uma dica, incentive que eles brinquem, resgate com eles algumas brincadeiras de sua infância. 

Para sua inspiração,  vídeo do Território do Brincar. 

Projeto Território do Brincar - 5º Região - Tatajuba, Ceará. Disponível em :

Para começar a brincar agora, com a criançada, sites com sugestões de brincadeiras:
100 brincadeiras IG
Aqui você encontra Taco, feijão queimado, Adoletá, morto vivo ...São 100 sugestões de brincadeiras.


Mapa do brincar Folha
Aqui você vai acessar como brincar de Amarelinha, corda, bolinhas de gude.. Não vai faltar ideias.




Figura 01 Disponível em 


PEQUENOS PESQUISADORES – PARTE III

Fig. 01 Filme Divertida Mente



O que são emoções? Como elas são produzidas? Podemos controlar nossas emoções?
Quantas emoções existem? Para que servem as emoções?
Perguntas elaboradas pelos alunos. 3º ANO A


No momento em que iniciamos a busca pelo problema de pesquisa, havíamos assistido ao filme Divertida Mente, por sugestão da assessora da SMEE Isabel Cristina de Souza. A proposta do filme era de sensibilizar os alunos sobre as emoções, refletir como nós as vivenciamos em nossa rotina. O filme mostra a vida de uma menina de 11 anos, Riley.  A menina  tem uma vida tranquila até o momento que os pais decidem mudar de sua cidade para São Francisco. Neste momento sua rotina fica tumultuada e imprevisível. Dentro do cérebro de Riley as emoções são comandadas até este momento pela líder alegria, mas uma confusão envia a Alegria e a tristeza para fora da sala de comando. Enquanto não retornam,  a sala de comandos fica com a raiva, o medo e o nojinho. Vejam abaixo trecho da sinopse:

Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle - e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente. Disponível em adoro cinema.com


Após a exibição, os alunos saíram da sala de vídeo conversando muito sobre a história. A sala de controle das emoções, o amigo imaginário, as ilhas de memórias. E durante as conversas já surgiram as primeiras perguntas: quantas emoções existem?  Onde nós sentimos as emoções? Qual a importância de cada emoção? Pra que servem as emoções?
Basta propiciar momentos de escuta que as crianças falam, e perguntam, e indagam, e chegam a conclusões provisórias e fazem debates, surgem as polêmicas, cada um querendo justificar seu argumento. Partindo destas perguntas, elaboramos nosso projeto.
A implementação da pesquisa propiciou em aula, momentos para os alunos falarem de suas emoções. De uma forma lúdica, o projeto de pesquisa vai oportunizando momentos de sensibilização, de reflexão. Onde os alunos podem falar de seus medos, tristezas e alegrias.


Trailer do filme Divertida Mente. Disponível em

Sinopse do filme Divertida Mente. Disponível em
Figura 01 disponível em :






PEQUENOS PESQUISADORES – PARTE II

Formulando perguntas


F. 01 Dexter.

Para o professor não basta ser um profissional da pesquisa, mas um profissional da educação pela pesquisa, que torne a pesquisa uma constante na sala de aula, de modo que o aluno deixe de ser objeto, aquele que não age, que apenas ouve e recebe o conhecimento por osmose e passe a ser sujeito, aquele que busca o conhecimento. Desenvolver o falar, o ouvir, o ler e escrever é um dos objetivos da educação. Assim formamos um aluno reflexivo, questionador e competente, crítico e ativo. À medida que o aluno questiona a realidade, ele está conquistando a sua autonomia. Demo,2000

Participei da formação disponibilizada pela SMEE em parceria com a Fundação Liberato “Educar pela pesquisa”. Como atividade de conclusão do curso a proposta é mediar um projeto de pesquisa utilizando a metodologia científica. O Projeto de Pesquisa fundamenta-se na ideia do protagonismo do aluno. O aluno como construtor de seu conhecimento. A construção do conhecimento deve ter como base conteúdos significativos, que tenham a origem em suas indagações, suas perguntas.Nesta etapa da formação coloca-se o verdadeiro desafio. Em turma de 3ºAno do Ciclo de Alfabetização, com 30 alunos em sala, montar um projeto de Pesquisa. Vamos lá, com a fundamentação teórica da formação “Educar pela pesquisa”, é hora de colocar em prática.Primero desafio: que temas atraem a turma neste momento? Precisamos definir um problema, ou seja, encontrar a pergunta principal da pesquisa. São as perguntas que norteiam o estudo. Então a observação e a escuta faz-se necessária. Este é o momento em que o fazer pedagógico se concretiza. Fazer provocações no aluno. Deixar que expresse suas perguntas , de forma livre, sem medo de avaliações, fugindo do padrão das respostas certas. Para Rubem Alves este é o verdadeiro objetivo da educação:

O objetivo da educação não é ensinar coisas, porque as coisas estão na internet, estão por todos os lados, estão nos livros. É ensinar a pensar. Criar na criança esta curiosidade. Criar na criança a alegria de pensar. Rubem Alves

Para conhecer um pouco mais sobre os Projetos de pesquisa, acesse o conteúdo em:
Prática pedagógica: Pesquisa ligada a aprender bem! Vídeo com Pedro Demo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Vra4hclt7kw

Verdadeiro objetivo da Educação: Professor de espantos. Rubem Alves.




 Figura 01 . Disponível em 



Música na escola





   


São comuns as cantorias em minha sala de aula. Quem passa nos corredores escuta as vozes em coro: Lá vem o pato, pata aqui, pata acolá”. Ou os pais que esperam as crianças no final da tarde  escutam: “Escravos de Jó, jogavam Caxangá.” Sim, nós cantamos. E gostamos de cantar. Neste semestre a Interdisciplina Música na escola, trouxe a reflexão sobre a importância de cantar, das brincadeiras sonoras, o valor de escutar a própria voz.
Pela escuta do som das vozes, das diversas possibilidades sonoras produzidas pela fala, pelas declamações e canto surge uma possibilidade imensa de atividades em sala de aula. No artigo Minha voz, tua voz falando e cantando na Educação Básica, a autora enumera várias possibilidades de trabalho pedagógico em sala de aula:

Fale, fale de diferentes maneiras. Fale mais forte e mais fraco. Sussurre, murmure. Grite. Fale uma mesma palavra ou frase de diferentes maneiras. Invente frases engraçadas para serem faladas,. Fale rapidamente, lentamente. Invente. Crie outras formas de brincar com o som de voz de seus alunos e alunas. Escolha um pequeno poema e o interprete com as muitas possibilidades da voz. Faça o mesmo criando seu próprio poema. Incentive sua turma a criar. Não se esqueça de se ouvir. BELLOCHIO, 2011

Os encontros presenciais possibilitaram a vivência destas possibilidades de atividades envolvendo sonoridade. As atividades propostas foram direto, sem escala, dos encontros para a sala de aula:
- Vamos dizer esta frase com ênfase no ponto de exclamação e agora como seria com ponto de interrogação.
A partir destas práticas, ocorre a consciência da tonalidade da voz. Sabemos que a criança precisa da consciência fonológica em sua construção de hipóteses da escrita. Para perceber o som das letras, precisa atenção à sonoridade, às rimas, as aliterações. E possibilitamos isto com brincadeiras sonoras: recitar poesias enfatizando as rimas, bater palmas nas sílabas fortes, fazer brincadeiras com os sons dos sinais de pontuação, ler uma poesia, enfatizando os sons pontuados pelas exclamações:” - Brancas azuis amarelas e pretas. Brincam no ar as belas borboletas... E as amarelinhas, são tão bonitinhas! E as pretas então! Oh! Que escuridão!”. Leitura e declamação criando ritmos próprios e construindo inflexões de voz. Leituras com ênfase na sonoridade, Brincadeiras com palavras que possibilitam ao aluno construir hipóteses sobre a linguagem oral e escrita.” - Escravos de Jó, jogavam caxangá. Tira, bota. Deixa ficar”. O trabalho com as poesias de Vinícius de Moraes marcaram fortemente a musicalidade das aulas. A leitura das poesias, a expressividade dos sons das rimas, a sonoridade das músicas são um ótimo recurso para a alfabetização e letramento:” Passa tempo tic-tac. Tic-tac, passa hora”.A sensibilização na música de Adriana Calcanhoto: - Procurando bem todo mundo tem pereba. Marca de bexiga ou vacina. Só a bailarina que não tem.
Com as atividades embasadas na Interdisciplina e implementadas em aula as aprendizagens foram bastante significativas e a maneira de conduzir os encontros  presenciais pelos professores , uma demonstração de como as aulas com sonoridade podem ser lúdicas e prazerosas.

Referências:
BELLOCHIO, C. R. Minha voz, tua voz: falando e cantando na sala de aula. Música na Educação Básica, v. 3, n. 3, p. 56-67, 2011.


MAFFIOLETTI, Leda de Albuquerque. Práticas Musicais na Escola Infantil. In.: CRAIDY, Carmem; KAERCHER, Gládis (Org.). Educação Infantil: Pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001.



Poesia: O pato. Vinícius de Moraes. Rio de Janeiro,1970. Disponível em :

Escravos de Jó, jogavam caxangá. Disponível em :



Figura 01 retirada de :


Interdisciplina Música na escola. Quem canta, seus males espanta! Parte I

Quem canta, seus males espanta!

f. 01 Crianças cantando.





Canta, canta minha gente.
Deixa a tristeza prá lá!
Canta forte, canta alto que a vida vai melhorar!


Elaborando a tarefa da Interdisciplina  Música na escola, fui buscando minha memória musical e fazendo minha linha do tempo da infância aos dias atuais. Recordei  as músicas que embalaram cada fase. Comecei pelas músicas tocadas pelo meu pai na gaita e cantadas em coro por mim e meus irmãos: “Prá ver a banda passar, cantando coisas de amor”; passei pelo primeiro amor dançando ao som de “Caso do acaso bem marcado em cartas de Tarô. Meu amor nosso amor estava escrito nas estrelas, tava sim!”. E para marcar uma fase de "adolescer" e as lutas pelo fim da herança da ditadura militar. “Vem vamos embora que esperar não é fazer, quem sabe faz a hora não espera acontecer.”. As músicas vão se sucedendo e acompanhando minha trajetória. Quando chegaram os filhos ,antes mesmo do nascimento, cantava parodiando Joyce “ Num coração de mel de melão , de sim e de não. Bate um coração de Thais , Leonardo e quem mais chegar.”. Depois na infância, cantávamos juntos a música do Toy store, “Amigo, estou aqui. Se a fase é ruim  e são tantos problemas que não tem fim. Amigo estou aqui”. Hoje quando estamos em uma festa eu e meu marido, quando começa a tocar “ Escrevi teu nome na areia. O sangue que corre em mim,sai das tuas veias... Prá surdo ouvir , prá cego ver que esse xote faz milagre acontecer” , saímos rodando numa sintonia de quem dança há 23 anos juntos.
A música tem sobre mim essa magia de trazer as memórias afetivas: pessoas, lugares, vivências que marcaram minha vida. Em momentos pra meditar: música. Prá refletir: música. Prá curtir uma dor: música. E ela segue embalando minha vida. E mais do que embalar é a melhor maneira de trazer alegria!


Figura 01 retirada de

Músicas citadas :
“Canta, canta minha gente”.  Martinho da Vila. Disponível em

“Banda”. Chico Buarque. Editora Musical brasileira moderna 1966. Disponível em :

“ Prá não dizer que não falei de flores.” Geraldo Vandré. 1968. Disponível em :


“ Clara e Ana”. Joyce. Disponível em :


“Amigo, estou aqui”. Música tema do filme Toy Store. Randy Newman. Disponível em

“ Xote dos milagres”. FalaMansa.  Disponível em :




Quem canta seus males espanta. Significado da expressão. Disponível em :