Transdiciplinariedade /Fundamentos
históricos
A Interdisciplina Didática Planejamento e avaliação disponibilizou o texto "A questão da interdisciplinaridade". No artigo o autor
Jiapssu, faz duras críticas ao discorrer sobre a fragmentação de saberes,
presente nas academias refere-se a esta como compartimentalização dos saberes
ou especialização sem limites. Afirmando que este é responsável pela
fragmentação crescente do horizonte epistemológico:
Essas
“ilhas” epistemológicas, dogmática e criticamente ensinadas, são ciumentamente
mantidas por estes reservatórios ou silos de saber, que são as instituições de
ensino, muito mais preocupadas com a distribuição de suas fatias de saber, de
uma ração intelectual a alunos que não têm fome. JAPIASSU.1994.
Para
compreendermos esta organização do ensino, que se revela na fragmentação dos
saberes e no consequente esvaziamento de sentidos, fugindo da explicação
apriorista que as naturaliza, o autor Santomé expõe a trajetória desta
concepção de escolarização, encontrando os fundamentos desta nos movimentos
históricos e sociais , na fragmentação dos processos de produção , impostos
pelos modelos fordistas e tayloristas.
Na hora de pesquisar o verdadeiro significado desta
proposta, considero imprescindível reconstruir o que estava acontecendo em
outras esferas sociais, especialmente no mundo da produção. Essa revisão pode
nos fornecer informação suficientemente significativa para aprofundar estes
conceitos e chegar a compreender seu verdadeiro alcance.SANTOMÉ.1998
Na análise da trajetória da implantação dos modelos
de produção no início do século XX,
ocorre uma busca de acúmulo de capital e meios de produção . Esta busca resulta
no barateamento da mão de obra e na desapropriação dos conhecimentos dos
trabalhadores.
A
organização das fábricas, pelos modelos fordistas e tayloristas, tornaram as
funções dos operários mecânicas e muito fáceis sem que a elas fosse necessário
compreender o significado de execução. Esta organização das fábricas influenciou
também a organização escolar:
O modelo
fordista e taylorista de produção atendeu às demandas do mercado de produção e
de acúmulos de bens durante décadas. No entanto com a globalização da economia,
tornou-se urgente uma mudança nestes modelos para atender a economia que
apresentava rápida flexibilização e urgente controle de resultados. Destas
exigências surge o modelo adotado pela Toyota nas décadas de 60e 70.
Como os modos de produção, tencionam as
instituições educativas para que forneçam mão de obra de acordo com sua
demanda, começam a surgir novas concepções denominadas como : ensino
globalizado, transdisciplinar, interdisciplinar que descrevem a oncepção de
ensino,assim descritos por Japiassu:
Nesta
perspectiva, o que se busca é produzir um discurso e uma representação práticos
e particulares dizendo respeito aos
problemas concretos. Diante desses problemas, confrontamos e fazemos interagir
os pontos de vista ou os discursos das várias disciplinas: sociologia,
medicina, antropologia, psicologia, etc. O objetivo não é o de criar uma nova
disciplina científica nem tampouco um discurso universal, mas o de resolver um
problema concreto. Nessas condições, as práticas interdisciplinaridades podem
ser consideradas como negociações entre pontos de vista, entre projetos e
interesses diferentes.
JAPIASSU.1994.
No cotidiano escolar, muitas vezes escutamos falas
de educadores e outros profissionais de educação que fazem referência às
concepções de educação numa tentativa de naturalização dos fatos e concepções.
Algumas referências ao Ensino tradicional e métodos diretivos com uma visão
apriorista. Mesmo nas tentativas de ressignificar o lugar da escola, com
propostas de métodos relacionais de ensino,
pouco ou nada escutamos do tencionamento
da economia e modos de produção sobre estas concepções. Assim ,as
leituras propostas, nos provocam estes questionamentos : a quem serve as
concepções de educação que fundamentam nossas práticas? Como frente a estes
tencionamentos , podemos procurar caminhos para uma educação democrática , não
somente em conceitos mas nas práticas cotidianas.
Referências:
JAPIASSU,
Hilton. A questão da interdisciplinaridade. Revista
Paixão de Aprender. Secretaria Municipal de Educação, novembro, n°8, p.
48-55, 1994.
Acesso
em 22 Abril 2018.
SANTOMÉ, J. T. Globalização e
interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artmed; 1998.
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