segunda-feira, 23 de abril de 2018

Transdiciplinariedade



Transdiciplinariedade /Fundamentos históricos

Interdisciplina Didática Planejamento e avaliação disponibilizou o texto "A questão da interdisciplinaridade". No artigo o autor Jiapssu, faz duras críticas ao discorrer sobre a fragmentação de saberes, presente nas academias refere-se a esta como compartimentalização dos saberes ou especialização sem limites. Afirmando que este é responsável pela fragmentação crescente do horizonte epistemológico:
Essas “ilhas” epistemológicas, dogmática e criticamente ensinadas, são ciumentamente mantidas por estes reservatórios ou silos de saber, que são as instituições de ensino, muito mais preocupadas com a distribuição de suas fatias de saber, de uma ração intelectual a alunos que não têm fome. JAPIASSU.1994.
Para compreendermos esta organização do ensino, que se revela na fragmentação dos saberes e no consequente esvaziamento de sentidos, fugindo da explicação apriorista que as naturaliza, o autor Santomé expõe a trajetória desta concepção de escolarização, encontrando os fundamentos desta nos movimentos históricos e sociais , na fragmentação dos processos de produção , impostos pelos modelos fordistas e tayloristas.
Na hora de pesquisar o verdadeiro significado desta proposta, considero imprescindível reconstruir o que estava acontecendo em outras esferas sociais, especialmente no mundo da produção. Essa revisão pode nos fornecer informação suficientemente significativa para aprofundar estes conceitos e chegar a compreender seu verdadeiro alcance.SANTOMÉ.1998
Na análise da trajetória da implantação dos modelos de produção  no início do século XX, ocorre uma busca de acúmulo de capital e meios de produção . Esta busca resulta no barateamento da mão de obra e na desapropriação dos conhecimentos dos trabalhadores.
A organização das fábricas, pelos modelos fordistas e tayloristas, tornaram as funções dos operários mecânicas e muito fáceis sem que a elas fosse necessário compreender o significado de execução. Esta organização das fábricas influenciou também a organização escolar:
O modelo fordista e taylorista de produção atendeu às demandas do mercado de produção e de acúmulos de bens durante décadas. No entanto com a globalização da economia, tornou-se urgente uma mudança nestes modelos para atender a economia que apresentava rápida flexibilização e urgente controle de resultados. Destas exigências surge o modelo adotado pela Toyota nas décadas de 60e 70.
Como os modos de produção, tencionam as instituições educativas para que forneçam mão de obra de acordo com sua demanda, começam a surgir novas concepções denominadas como : ensino globalizado, transdisciplinar, interdisciplinar que descrevem a oncepção de ensino,assim descritos por Japiassu:
Nesta perspectiva, o que se busca é produzir um discurso e uma representação práticos e particulares  dizendo respeito aos problemas concretos. Diante desses problemas, confrontamos e fazemos interagir os pontos de vista ou os discursos das várias disciplinas: sociologia, medicina, antropologia, psicologia, etc. O objetivo não é o de criar uma nova disciplina científica nem tampouco um discurso universal, mas o de resolver um problema concreto. Nessas condições, as práticas interdisciplinaridades podem ser consideradas como negociações entre pontos de vista, entre projetos e interesses diferentes. JAPIASSU.1994.
No cotidiano escolar, muitas vezes escutamos falas de educadores e outros profissionais de educação que fazem referência às concepções de educação numa tentativa de naturalização dos fatos e concepções. Algumas referências ao Ensino tradicional e métodos diretivos com uma visão apriorista. Mesmo nas tentativas de ressignificar o lugar da escola, com propostas  de métodos relacionais de ensino, pouco ou nada escutamos do tencionamento  da economia e modos de produção sobre estas concepções. Assim ,as leituras propostas, nos provocam estes questionamentos : a quem serve as concepções de educação que fundamentam nossas práticas? Como frente a estes tencionamentos , podemos procurar caminhos para uma educação democrática , não somente em conceitos mas nas práticas cotidianas.

Referências:
JAPIASSU, Hilton. A questão da interdisciplinaridade. Revista Paixão de Aprender. Secretaria Municipal de Educação, novembro, n°8, p. 48-55, 1994.
Acesso em 22 Abril 2018.
SANTOMÉ, J. T. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artmed; 1998.



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