segunda-feira, 30 de abril de 2018

Avaliação / Superação de métodos diretivos excludentes



O que é avaliar?



         Para provocar nossa reflexão referente à avaliação , a Interdisciplina Didática Planejamento e avaliação disponibilizou a leitura da autora Lucinete Ferreira  a charge de Tonucci e a caricatura de Hans.
Na charge vemos a ilustração representando a função da avaliação como classificatória, com o objetivo dicotômico de  aprovar ou reprovar. Sendo que o único aluno aprovado é o que está espelhando a professora, ou seja, seu ideal de aluno, o modelo esperado. Nesta charge vemos a realidade que ocorre no cotidiano das escolas com relação a função da avaliação. Esta é concebida como instrumento de classificação, acrescido de força pela coação e medo provocados pela possibilidade de reprovação escolar. Para Souza, 1993,
         A avaliação do rendimento escolar tem se traduzido , nas escolas, em uma prática autoritária que legitima um processo de seletividade e discriminação de alunos com consequências sociais e pessoais danosas, em nada coerente com a função de apoiar o aperfeiçoamento do ensino. ... Na prática , negamos as diferenças individuais dos alunos e as decorrentes das classes sociais provenientes
           Na caricatura de Hans que se intitula , “ Igualdade de oportunidades”, temos a legenda: No sentido de uma seleção justa, o teste é o mesmo para todos: subir na árvore( tradução Google).E os sujeitos da avaliação apresentados na gravura são cachorro, aves, elefante,foca, macaco e peixe. Para ser mais completa os animais já estariam rotulados como: lentos, desorganizados , deficientes, ou seja ,reprovados. Temos em Souza , 1993:
          A avaliação classificatória promover a prática discriminatória e seletiva, onde os socialmente favorecidos são capazes de prosseguir nos estudos e os vindos de classes sociais mais desfavorecidas são eliminados do processo.
         Na reflexão provocada pelas ilustrações, encontramos as definições de Ferreira para a avaliação no cotidiano escolar. Para a autora , a cultura avaliativa tem um fim em si mesma e não um meio para viabilizar o processo educativo. Aponta as funções da avaliação como classificatória, autoritária e reprodutiva. Também pontua a posição reducionista desta :
           Através do posicionamento reprodutivista, reducionista e unilateral do processos avaliativo, reforçado pelo aspecto físico- dimensional e orgânico da sala de aula e o burocrático exigido pelo sistema , a escola evidencia no seu cotidiano uma prática sujeita a desvirtuamentos. Ferreira, 2002
          Na prática educativa percebo que a avaliação deve ter coerência com as concepções de aprendizagem que fundamentam a ação. Neste sentido se busco o modelo relacional de ensino , onde valorizo os conhecimentos prévios, proporciono a dialogicidade , a construção do conhecimento pela ação do aluno, a avaliação é um processo contínuo. Avalio não somente as repostas ,mas o acompanhamento das aprendizagens é realizado pela ação total do aluno , suas perguntas, as dúvidas que são bases para pesquisas , o interesse nas atividades propostas.Avaliar deixa de ter o foco no aluno como aprendente e passa a ser um diagnóstico do que deu certo no planejamento inicial e que deverá ser reformulado para futuros planos docentes. É questionar a própria prática para superar-se e garantir a mediação da aprendizagem a todos.

Referências :
FERREIRA, Lucinete. O contexto da prática avaliativa no cotidiano escolar. In:____. Retratos da avaliação: conflitos, desvirtuamentos e caminhos para a superação. Porto Alegre: Mediação, 2002. p.39-61.
Hans Traxler, Chancengleichheit, in: Michael Klant , [Hrsg.] , Schul-Spott : Karikaturen aus 2500 Jahren Pädagogik ,Fackelträger, Hannover 1983, S. 25


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