O que é avaliar?
Para provocar nossa
reflexão referente à avaliação , a Interdisciplina
Didática Planejamento e avaliação disponibilizou a
leitura da autora Lucinete Ferreira a
charge de Tonucci e a caricatura de Hans.
Na
charge vemos a ilustração representando a função da avaliação como
classificatória, com o objetivo dicotômico de aprovar ou reprovar. Sendo
que o único aluno aprovado é o que está espelhando a professora, ou seja, seu
ideal de aluno, o modelo esperado. Nesta charge vemos a realidade que ocorre no
cotidiano das escolas com relação a função da avaliação. Esta é concebida como
instrumento de classificação, acrescido de força pela coação e medo provocados
pela possibilidade de reprovação escolar. Para Souza, 1993,
A avaliação do rendimento escolar tem se
traduzido , nas escolas, em uma prática autoritária que legitima um processo de
seletividade e discriminação de alunos com consequências sociais e pessoais
danosas, em nada coerente com a função de apoiar o aperfeiçoamento do ensino.
... Na prática , negamos as diferenças individuais dos alunos e as decorrentes
das classes sociais provenientes
Na
caricatura de Hans que se intitula , “ Igualdade de oportunidades”, temos a
legenda: No sentido de uma seleção justa, o teste é o mesmo para todos: subir
na árvore( tradução Google).E os sujeitos da avaliação apresentados na gravura
são cachorro, aves, elefante,foca, macaco e peixe. Para ser mais completa os
animais já estariam rotulados como: lentos, desorganizados , deficientes, ou
seja ,reprovados. Temos em Souza , 1993:
A avaliação classificatória promover a prática
discriminatória e seletiva, onde os socialmente favorecidos são capazes de
prosseguir nos estudos e os vindos de classes sociais mais desfavorecidas são
eliminados do processo.
Na
reflexão provocada pelas ilustrações, encontramos as definições de Ferreira
para a avaliação no cotidiano escolar. Para a autora , a cultura avaliativa tem
um fim em si mesma e não um meio para viabilizar o processo educativo. Aponta
as funções da avaliação como classificatória, autoritária e reprodutiva. Também
pontua a posição reducionista desta :
Através
do posicionamento reprodutivista, reducionista e unilateral do processos
avaliativo, reforçado pelo aspecto físico- dimensional e orgânico da sala de
aula e o burocrático exigido pelo sistema , a escola evidencia no seu cotidiano
uma prática sujeita a desvirtuamentos. Ferreira, 2002
Na prática educativa percebo que a
avaliação deve ter coerência com as concepções de aprendizagem que fundamentam
a ação. Neste sentido se busco o modelo relacional de ensino , onde valorizo os
conhecimentos prévios, proporciono a dialogicidade , a construção do
conhecimento pela ação do aluno, a avaliação é um processo contínuo. Avalio não
somente as repostas ,mas o acompanhamento das aprendizagens é realizado pela
ação total do aluno , suas perguntas, as dúvidas que são bases para pesquisas ,
o interesse nas atividades propostas.Avaliar deixa de ter o foco no aluno como
aprendente e passa a ser um diagnóstico do que deu certo no planejamento
inicial e que deverá ser reformulado para futuros planos docentes. É questionar
a própria prática para superar-se e garantir a mediação da aprendizagem a
todos.
Referências
:
FERREIRA,
Lucinete. O contexto da prática avaliativa no cotidiano escolar.
In:____. Retratos
da avaliação: conflitos, desvirtuamentos e caminhos para a
superação. Porto Alegre:
Mediação, 2002. p.39-61.
Hans Traxler, Chancengleichheit, in: Michael Klant , [Hrsg.] ,
Schul-Spott : Karikaturen aus 2500 Jahren Pädagogik ,Fackelträger, Hannover
1983, S. 25

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