segunda-feira, 7 de maio de 2018

Avaliação - mudança de concepções


O QUE SIGNIFICA AVALIAR?




Uma das tarefas que fazem parte do cotidiano escolar é a expressão das avaliações trimestrais. O momento de comunicar aos pais como o aluno se encontra em seu processo de aprendizagem. Os avanços alcançados e em que aspecto merece apoio para que ocorra progressão. É um trabalho burocrático, que se insere nas demais demandas do calendário escolar. No entanto, não podemos deixar de refletir sobre a importância deste processo e de como pode contribuir para o êxito da aprendizagem dos alunos ou, aprofundar situações de fracasso e exclusão escolar.
Com o objetivo de refletir sobre o processo de avaliações, compartilho alguns apontamentos de Jussara Hoffman sobre avaliar. Para a autora a avaliação deve ter como premissa um olhar sobre a singularidade de cada aluno, como segue:
Avaliar para promover cada um dos alunos é um grande compromisso que nos exige aprofundar o olhar sobre a sua singularidade no ato de aprender e, ao mesmo tempo, ampliá-lo na direção do grupo e das relações sociais. Olhares esses fundamentados em múltiplas referências de análise do processo de conhecimento. Hoffman, 2014.
A avaliação tem como principal instrumento a observação atenta do professor sobre o modo como o aluno pensa e age frente a desafios lançados em aula. Como se articula para defender suas ideias, como argumenta e formula suas respostas na interação com os colegas , de que forma usa os meios de informações disponíveis para responder aos seus questionamentos.
Avaliar competências significa observar o aluno em sua capacidade de pensar e agir eficazmente em uma situação, buscando soluções para enfrentá-la, apoiado em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles. O aprender envolve vários aspectos: situações interativas (discussão com outros colegas, com os professores, com os familiares), engajamento pessoal (desejo de descobrir, de conhecer) e a busca de conhecimentos em momentos sucessivos e complexos (buscar em diferentes fontes – livros, revistas, jornais, Internet, outras pessoas – aprofundar-se cada vez mais no assunto). Hoffman, 2014.
Para construir este olhar sobre o aluno, não basta aplicar instrumentos que meçam as aprendizagens como provas ou testes padronizados. È necessário criar situações em aula com o intuito de observar como aluno constrói suas hipóteses, como argumenta, como formula suas perguntas.
Avaliar é essencialmente questionar. É observar e promover experiências educativas que signifiquem provocações intelectuais significativas no sentido do desenvolvimento do aluno. Dessa forma, as tarefas e testes mudam radicalmente de lugar e de importância no contexto escolar. Enquanto na avaliação classificatória esses instrumentos ocupam o lugar de verificar, comprovar o alcance de um objetivo ao final de um estudo, de um determinado tempo, na visão mediadora, ao contrário, elas assumem o caráter permanente de mobilização, de provocação. Professores e alunos questionam- se, buscam informações pertinentes, constroem conceitos, resolvem problemas. Avaliar é, então, questionar, formular perguntas, propor tarefas desafiadoras, disponibilizando tempo, recursos e condições aos alunos para a construção das respostas. Hoffman, 2014.
Avaliar desta forma, não é ponto final, é ponto de partida. É a partir deste olhar sobre a singularidade da evolução de cada aluno e do reconhecimento do percurso evolutivo de cada aluno que será ajustado o percurso, propondo novas situações de aprendizagem que atendam a progressão de todos.
A continuidade da ação pedagógica tem por referência, assim,  um olhar amplo e multidimensional do professor acerca do processo vivido pelos alunos, seus interesses, avanços e necessidades. A intervenção pedagógica do professor será mais consistente e significativa à medida que ele se questionar permanentemente sobre a trajetória de cada um, procurando ampliar e complementar seu entendimento sobre os seus percursos evolutivos, sem deixar de observar todo o grupo, ajustando suas ações educativas à multiplicidade de referências que a aprendizagem acarreta. Hoffman, 2014.

Refletindo sobre o texto de Hoffmann e analisando as evidências que presenciamos no cotidiano escolar concluímos que a avaliação classificatória, autoritária  e excludente  ainda é muito presente. Para transformar a avaliação em diagnóstico do que deu certo no planejamento inicial e que deverá ser reformulado para futuros planos docentes é prioritário avaliar a própria prática para superar-se e garantir a mediação da aprendizagem a todos. Este processo deve ser mediado pelo método dialógico de ensino valorizando  conhecimentos prévios dos alunos, proporcionando como fundamento da prática  a dialogicidade, a construção do conhecimento pela ação do aluno, tornando a  avaliação  um processo contínuo. Avaliando não somente as repostas, mas o acompanhamento das aprendizagens pela ação total do aluno, suas perguntas, as dúvidas que são bases para pesquisas, o interesse nas atividades propostas

(Leia o texto completo em HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do caminho. 15. ed. Porto Alegre: Mediação, 2014. p.63-83 – trecho adaptado pela autora)

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