O QUE SIGNIFICA AVALIAR?
Uma
das tarefas que fazem parte do cotidiano escolar é a expressão das avaliações
trimestrais. O momento de comunicar aos pais como o aluno se encontra em seu
processo de aprendizagem. Os avanços alcançados e em que aspecto merece apoio
para que ocorra progressão. É um trabalho burocrático, que se insere nas demais
demandas do calendário escolar. No entanto, não podemos deixar de refletir
sobre a importância deste processo e de como pode contribuir para o êxito da
aprendizagem dos alunos ou, aprofundar situações de fracasso e exclusão escolar.
Com
o objetivo de refletir sobre o processo de avaliações, compartilho alguns apontamentos
de Jussara Hoffman sobre avaliar. Para a autora a avaliação deve ter como
premissa um olhar sobre a singularidade de cada aluno, como segue:
Avaliar para promover cada um dos alunos é um grande
compromisso que nos exige aprofundar o olhar sobre a sua singularidade no ato
de aprender e, ao mesmo tempo, ampliá-lo na direção do grupo e das relações
sociais. Olhares esses fundamentados em múltiplas referências de análise do
processo de conhecimento. Hoffman,
2014.
A
avaliação tem como principal instrumento a observação atenta do professor sobre
o modo como o aluno pensa e age frente a desafios lançados em aula. Como se
articula para defender suas ideias, como argumenta e formula suas respostas na
interação com os colegas , de que forma usa os meios de informações disponíveis
para responder aos seus questionamentos.
Avaliar competências significa observar o aluno em sua
capacidade de pensar e agir eficazmente em uma situação, buscando soluções para
enfrentá-la, apoiado em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles. O aprender
envolve vários aspectos: situações interativas (discussão com outros colegas,
com os professores, com os familiares), engajamento pessoal (desejo de
descobrir, de conhecer) e a busca de conhecimentos em momentos sucessivos e
complexos (buscar em diferentes fontes – livros, revistas, jornais, Internet,
outras pessoas – aprofundar-se cada vez mais no assunto). Hoffman, 2014.
Para construir este olhar sobre o aluno, não
basta aplicar instrumentos que meçam as aprendizagens como provas ou testes
padronizados. È necessário criar situações em aula com o intuito de observar
como aluno constrói suas hipóteses, como argumenta, como formula suas
perguntas.
Avaliar é
essencialmente questionar. É observar e promover experiências educativas que
signifiquem provocações intelectuais significativas no sentido do desenvolvimento
do aluno. Dessa forma, as tarefas e testes mudam radicalmente de lugar e
de importância no contexto escolar. Enquanto na avaliação classificatória esses
instrumentos ocupam o lugar de verificar, comprovar o alcance de um objetivo ao
final de um estudo, de um determinado tempo, na visão mediadora, ao contrário,
elas assumem o caráter permanente de mobilização, de provocação. Professores e
alunos questionam- se, buscam informações pertinentes, constroem conceitos,
resolvem problemas. Avaliar é, então, questionar, formular perguntas, propor
tarefas desafiadoras, disponibilizando tempo, recursos e condições aos alunos
para a construção das respostas. Hoffman,
2014.
Avaliar desta forma, não é ponto
final, é ponto de partida. É a partir deste olhar sobre a singularidade da
evolução de cada aluno e do reconhecimento do percurso evolutivo de cada aluno
que será ajustado o percurso, propondo novas situações de aprendizagem que
atendam a progressão de todos.
A continuidade
da ação pedagógica tem por referência, assim, um olhar amplo e
multidimensional do professor acerca do processo vivido pelos alunos, seus
interesses, avanços e necessidades. A intervenção pedagógica do professor será
mais consistente e significativa à medida que ele se questionar permanentemente
sobre a trajetória de cada um, procurando ampliar e complementar seu
entendimento sobre os seus percursos evolutivos, sem deixar de observar todo o
grupo, ajustando suas ações educativas à multiplicidade de referências que a
aprendizagem acarreta. Hoffman, 2014.
Refletindo sobre o
texto de Hoffmann e analisando as evidências que presenciamos no cotidiano
escolar concluímos que a avaliação classificatória, autoritária e excludente ainda é muito presente. Para transformar a
avaliação em diagnóstico do que deu certo no planejamento inicial e que deverá
ser reformulado para futuros planos docentes é prioritário avaliar a própria
prática para superar-se e garantir a mediação da aprendizagem a todos. Este
processo deve ser mediado pelo método dialógico de ensino valorizando conhecimentos prévios dos alunos, proporcionando
como fundamento da prática a
dialogicidade, a construção do conhecimento pela ação do aluno, tornando a avaliação um processo contínuo. Avaliando não somente as
repostas, mas o acompanhamento das aprendizagens pela ação total do aluno, suas
perguntas, as dúvidas que são bases para pesquisas, o interesse nas atividades
propostas
(Leia o texto completo em HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover: as setas do
caminho. 15. ed. Porto Alegre: Mediação, 2014. p.63-83 – trecho adaptado pela
autora)

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