segunda-feira, 11 de junho de 2018

Alfabetização de adultos/ Método dialógico de ensino


Alfabetização de adultos
Método dialógico de ensino





Haras   faz a análise da prática no Curso Supletivo do Colégio Santa Cruz durante  um ano letivo, onde se procurou ligar o embasamento teórico com as possibilidades de sala de aula,   faz uma avaliação positiva da prática de alfabetização de adultos , concluindo com possibilidades criadas para a solução de problemas.
Podemos avaliar ganhos significativos com nosso trabalho. À conceituação de Paulo Freire acrescentamos os novos conhecimentos da psicolinguística trazidos por Emília Ferreiro. A prática nos mostrou como são complementares os dois pontos de vista, e como juntam para aprimorar o trabalho de alfabetização de adultos. Alguns pontos extraídos da reflexão sobre a prática nos parecem fundamentais, porque reafirmam nossas hipóteses iniciais e apontam caminhos para soluções de problemas há muito colocados na área da metodologia:
 1) É possível considerar o saber intelectual dos adultos não escolarizados. Eles têm conhecimentos que a escola não pode desconsiderar. Conhecer quais são esses saberes nos permite efetivamente valorizá-los na prática pedagógica.
            2) Os adultos não escolarizados operam cognitivamente e não são meros depósitos para informações. Assim como na formação do pensamento das crianças há etapas de desenvolvimento, para os adultos analfabetos também. E, como para elas, a progressão nas etapas depende de uma construção efetivada a partir de desafios, informações, interrelação com o meio.
3) Perceber a construção social do código escrito e apropriar-se dele pode ser um dos passos para perceber as relações no mundo.

Haras, ao conceber a aprendizagem da leitura da escrita e da escrita como processual, define alguns aspectos pedagógicos para potencializar a construção destes conceitos :
- Alfabetização com temas significativos- temas geradores que partem das vivências e da realidade dos alunos,
Esses fatos demonstram a importância de se identificar a necessidade de escrever de cada um. Que as propostas de escritura tenham realmente alguma função para o sujeito. É diferente de se ensinar a grafar todas as famílias silábicas para que depois a pessoa possa se expressar. O ato de escrever é indissociável da função expressiva e comunicativa da escrita, e, portanto, das coisas do mundo, do que há para expressar e comunicar na vida. HARAS, 1992. Pag.09

- Método dialógico que envolve a participação dos alunos em debates, argumentando, e formulando críticas a realidade,
- Diagnóstico das hipóteses de escrita dos alunos, para mediar desafios que os desacomodem e provoquem rupturas e avanços;
Com a ideia de que os alunos já têm algum conhecimento sobre o código escrito, de que o domínio desse código é uma aquisição cognitiva e de que cada um é capaz de construir seu conhecimento, a proposta é partir do que cada um sabe e oferecer oportunidade de reflexão e prática até chegar à leitura e escrita competentes. HARAS, 1992. Pag.01

- Avaliação que promova o erro reconstrutivo , a pedagogia do erro que considera este não um fracasso mas importante etapa do processo de construção da leitura e da escrita.
        Estes fundamentos que servem de base para a alfabetização de adultos, são evidenciados nos Vídeos disponibilizados. Estes apresentam a prática pedagógica em que se evidenciam a aprendizagem por temas geradores, uma avaliação diagnóstica que possibilita a professora mediar desafios e provocar avanços na hipótese de escrita dos alunos, um método dialógico de ensino onde são valorizadas a participação de todos e o desenvolvimento da autonomia.

Refletindo sobre as propostas metodológicas de Haras, fui fazendo uma relação com os alunos dos Anos Iniciais , pois sabemos que os alunos que não se alfabetizam muitas vezes são submetidos a um processo inadequado que conflitua com seu próprio modo de perceber a escrita. Assim a provocação que surge é de que forma é produzido  o fracasso escolar que gera a evasão , rotula e  exclui os alunos da escola regular?
 A prática das concepções proposta por Haras para a EJA  como: aprendizagens significativas, diagnóstico das hipóteses da escrita, temas geradores , práticas dialógicas de ensino, se efetivadas nos anos Iniciais potencializaria a aprendizagem, diminuindo a exclusão de muitas crianças e jovens do sistema regular de ensino.


Referências:
HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992

A construção da leitura e da escrita. parte 1
A construção da leitura e da escrita. parte 2
A construção da leitura e da escrita. parte 3
A construção da leitura e da escrita. parte 4


Nenhum comentário:

Postar um comentário