Alfabetização de adultos
Método dialógico de ensino
Haras faz a análise da prática no Curso Supletivo
do Colégio Santa Cruz durante um ano
letivo, onde se procurou ligar o embasamento teórico com as possibilidades de
sala de aula, faz uma avaliação positiva da prática de
alfabetização de adultos , concluindo com possibilidades criadas para a solução
de problemas.
Podemos avaliar
ganhos significativos com nosso trabalho. À conceituação de Paulo Freire
acrescentamos os novos conhecimentos da psicolinguística trazidos por Emília
Ferreiro. A prática nos mostrou como são complementares os dois pontos de
vista, e como juntam para aprimorar o trabalho de alfabetização de adultos.
Alguns pontos extraídos da reflexão sobre a prática nos parecem fundamentais,
porque reafirmam nossas hipóteses iniciais e apontam caminhos para soluções de
problemas há muito colocados na área da metodologia:
1) É possível considerar o saber intelectual
dos adultos não escolarizados. Eles têm conhecimentos que a escola não pode
desconsiderar. Conhecer quais são esses saberes nos permite efetivamente
valorizá-los na prática pedagógica.
2)
Os adultos não escolarizados operam cognitivamente e não são meros depósitos
para informações. Assim como na formação do pensamento das crianças há etapas
de desenvolvimento, para os adultos analfabetos também. E, como para elas, a
progressão nas etapas depende de uma construção efetivada a partir de desafios,
informações, interrelação com o meio.
3) Perceber a
construção social do código escrito e apropriar-se dele pode ser um dos passos
para perceber as relações no mundo.
Haras,
ao conceber a aprendizagem da leitura da escrita e da escrita como processual,
define alguns aspectos pedagógicos para potencializar a construção destes
conceitos :
-
Alfabetização com temas significativos- temas geradores que partem das
vivências e da realidade dos alunos,
Esses
fatos demonstram a importância de se identificar a necessidade de escrever de
cada um. Que as propostas de escritura tenham realmente alguma função para o
sujeito. É diferente de se ensinar a grafar todas as famílias silábicas para
que depois a pessoa possa se expressar. O ato de escrever é indissociável da
função expressiva e comunicativa da escrita, e, portanto, das coisas do mundo,
do que há para expressar e comunicar na vida. HARAS, 1992. Pag.09
-
Método dialógico que envolve a participação dos alunos em debates,
argumentando, e formulando críticas a realidade,
-
Diagnóstico das hipóteses de escrita dos alunos, para mediar desafios que os
desacomodem e provoquem rupturas e avanços;
Com
a ideia de que os alunos já têm algum conhecimento sobre o código escrito, de
que o domínio desse código é uma aquisição cognitiva e de que cada um é capaz
de construir seu conhecimento, a proposta é partir do que cada um sabe e
oferecer oportunidade de reflexão e prática até chegar à leitura e escrita
competentes. HARAS, 1992. Pag.01
-
Avaliação que promova o erro reconstrutivo , a pedagogia do erro que considera
este não um fracasso mas importante etapa do processo de construção da leitura
e da escrita.
Estes fundamentos que servem de base para
a alfabetização de adultos, são evidenciados nos Vídeos disponibilizados. Estes
apresentam a prática pedagógica em que se evidenciam a aprendizagem por temas
geradores, uma avaliação diagnóstica que possibilita a professora mediar
desafios e provocar avanços na hipótese de escrita dos alunos, um método
dialógico de ensino onde são valorizadas a participação de todos e o
desenvolvimento da autonomia.
Refletindo
sobre as propostas metodológicas de Haras, fui fazendo uma relação com os
alunos dos Anos Iniciais , pois sabemos que os alunos que não se alfabetizam
muitas vezes são submetidos a um processo inadequado que conflitua com seu
próprio modo de perceber a escrita. Assim a provocação que surge é de que forma
é produzido o fracasso escolar que gera
a evasão , rotula e exclui os alunos da
escola regular?
A prática das concepções proposta por Haras
para a EJA como: aprendizagens
significativas, diagnóstico das hipóteses da escrita, temas geradores ,
práticas dialógicas de ensino, se efetivadas nos anos Iniciais potencializaria
a aprendizagem, diminuindo a exclusão de muitas crianças e jovens do sistema
regular de ensino.
Referências:
HARA, Regina.
Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992
A construção da leitura e
da escrita. parte 1
A construção da leitura e
da escrita. parte 2
A construção da leitura e
da escrita. parte 3
A construção da leitura e
da escrita. parte 4

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