segunda-feira, 4 de junho de 2018

Alfabetização de adultos/ Desafios


Alfabetização de adultos um desafio



No artigo “ Alfabetização e adultos: ainda um desafio” Haras ( 1992) ,  faz uma análise  das práticas de alfabetização de adultos apontando os impasses que envolvem a escolarização popular sendo estes:  dificuldades em ensinar, conseguir motivação e conseguir efetivamente ganhos de consciência. Afirma que o produto desta escolarização esta abaixo da expectativa. O fracasso se deve a alguns fatores sociais agravado pelos  próprios processos de escolarização ofertados. Como afirma Haras:
Os fatores de ordem social não podem ser desprendidos do tipo de estrutura social em que vivemos. Sociedade excludente, que marginaliza a grande maioria pobre, acaba por negar as condições mínimas para a realização da escolarização das camadas populares, e, quando isto ocorre, a escolarização é destituída da qualidade necessária. HARAS, 1992. Pag.01

Os impasses e desafios ao sucesso na escolarização de adultos  agravam-se pela falta de formação dos professores. Sem acesso a produção de conhecimento nesta área que fundamente sua ação, o que ocorre são tentativas sem concepção que as fundamente. Em alguns casos existe uma leitura superficial das concepções de Freire que conduz a algumas medidas que desvirtuam suas concepções e mascaram métodos tradicionais de ensino. Estas ações não consideram nos processo de aprendizagem dos códigos de ler e escrever pressupostos básicos da obra de Freire como o respeito ao universo do educando, suas experiências acumuladas antes da escolarização, suas hipóteses à respeito de tal processo e a ampliação de sua consciência:

Frente aos impasses enfrentados para a escolarização de adultos HARAS, apresenta propostas para a superação destes entraves. Sistematizou estas propostas através do acompanhamento por 02 anos de um grupo de escolarização de adultos. Sua proposta foi fundamentada no aporte teórico nas concepções da alfabetização de adultos proposta por  Freire, como também nas concepções de alfabetização de Ferreiro e Teberosky .
Considerando que para Freire as concepções de aprendizagem , processo pedagógico e o político são indissociáveis. Para Haras ,ao conceber o homem como ser de vocação ontológica para ser sujeito, como um ser de relações atuando na realidade, já se antecipa que, para Paulo Freire, o processo de aprendizagem é dinâmico e ativo. Quando aceitamos que o homem seja sujeito na compreensão do mundo, aceitamos que também o seja na construção do seu conhecimento sobre a escrita, uma parcela do conhecimento social. Paulo Freire entende alfabetização como um ato de conhecimento, no qual "aprender a ler e escrever já não é, pois, memorizar sílabas, palavras ou frases, mas refletir criticamente sobre o próprio processo de ler e escrever e sobre o profundo significado da linguagem"
Esta afirmação fica evidenciada nos Vídeos “ A construção da leitura e da escrita”, que retratam a alfabetização de adultos. As situações de leitura e escrita de textos são fundamentados em situações da realidade dos alunos e destas surgem temas geradores. Assim os alunos produzem textos com temas que a eles fazem sentido e tem significado. Como exemplo : levantaram  os problemas enfrentados pelos moradores do bairro, ou críticas sóciais potencializadas pela leitura de jornal.

 Ferreiro e Teberoski comprovam com suas investigações que os adultos como as  crianças tem ideias e hipóteses sobre as escrita , os  resultados da investigação permitiram concluir que a aquisição da escrita é uma aquisição conceitual, construída pelo sujeito nas relações com o meio, do mesmo modo que se observa em outras áreas do conhecimento. Então cabe ao professor estruturar um projeto que promova novos desafios, desacomode suas hipóteses iniciais e promova interações que permita a construção de novos conceitos.
A alfabetização é um processo que leva ao domínio do código escrito; os estudos psicolinguísticos mostram que há etapas cognitivas que o sujeito do processo passa para construir o domínio do código escrito. O homem, sujeito de sua aprendizagem, constrói seus conhecimentos nos diferentes momentos da vida e nas diferentes situações que vivencia, a escrita é um desses conhecimentos. Inscrita na leitura do mundo, a leitura da palavra é um de seus aspectos; a proposição para a construção da leitura da palavra segue o mesmo conceito da leitura do mundo, enquanto conduta de aproximação do objeto. Diferencia-se exatamente na eleição do objeto: o código escrito. HARAS, 1992. Pag.07


Referências:
HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992



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