segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Discriminação Racial nas Escolas




PEAD EIXO VI
Preconceito racial das escolas



A discriminação racial é o racismo e o preconceito materializado em ações e condutas que desqualificam e inferiorizam um grupo em detrimento do outro”.p.22 SOUZA E CROSSOL,2007[1]

Na atividade proposta para o Seminário Integrador VI , iniciamos com a análise de uma situação de Preconceito Racial na Escola .A descrição da agressão vivenciada trouxe a reflexão sobre o cotidiano escolar  onde presenciamos muitas falas e práticas que revelam a gravidade das atitudes discriminatórias.


Os alunos vítimas do preconceito racial muitas vezes são vítimas também e com mais gravidade da omissão dos professores que não denunciam este tipo de agressão. Em pesquisa realizada em salões de beleza  a pesquisadora Nilma expõe alguns  relatos de preconceito racial no ambiente escolar. Segue abaixo depoimento da Menina N, em pesquisa realizada pela autora Nillma Lino Gomes [2]:

- N.: Quando eu era mais nova eu ia pra escola e eu tinha o cabelo de trancinha. Eu me lembro de uma vez, estava na quarta série... Ai, meu Deus, eu não esqueço!...., tem coisa que marca, a gente não esquece. Eu estava na aula, então, eu usava trancinha. Um dia minha mãe resolveu tirar minha trancinha e alisar meu cabelo. Eu alisei meu cabelo, eu lembro como se fosse hoje. Eu lembro, minha mãe alisou... foi no salão, alisou, ficou assim, balançando ao vento. Ficou lindo meu cabelo, maravilhoso! Só que eu fiquei com vergonha de sair do salão com o cabelo, porque estava bonito, eu fiquei com vergonha, porque estava bonito e ia chamar a atenção. Então eu fui pra aula. Eu sempre sentei mais perto da primeira carteira, só que eu sentava perto da janela. Eu quase entrei dentro do armário pra ficar escondida, por causa do cabelo. E tinha um menino branquinho, o Leonardo, lindo, do olho azul, branquinho, que sentava na primeira carteira. Eu parti o cabelo de lado, coloquei um passadorzinho com umas pedrinhas de strass . O pessoal olhou, lógico que iam reparar, eu tinha o cabelo de trancinha e eles falaram assim: “Nossa, você está diferente hoje, arrumou o cabelo!”. E um menino falou: “Ficou mais feia ainda”. Aquilo foi a morte, depois que ele falou aquilo, nem pra aula eu queria ir mais. Não queria ir pra aula. GOMES, 2003. P.177.


Sabemos que as leis e diretrizes da educação para a Diversidade e Das Questões étnico Raciais evoluíram nas últimas décadas, entretanto no cotidiano escolar há muito a construir para que o respeito, a valorização da diversidade e a afirmação das identidades ocorram. O preconceito velado e mascarado em discursos de respeito e inclusão surge nas ações discentes e docentes.





[1]  Igualdade nas relações étnico-raciais na escola: possibilidade e desafios para a implementação da Lei 10.639/2003”. Coordenadoras Ana lucia Silva Souza e Camila Crosol. Editora Fundação Peirólpolis. São Paulo 2007.

[2] Educação, identidade negra e formação de professores/as: um olhar sobre o corpo negro e o cabelo crespo” Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n.1, p. 167-182, jan./jun. 2003,Nilma Lino Gomes. Disponível em LINK.: http://www.revistas.usp.br/ep/article/view/27905


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