PEAD EIXO VI
Preconceito racial nas escolas
Busca de Ações Afirmativas
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Realizei uma enquete com as certezas e
dúvidas elaboradas para investigação relativa ao Preconceito Racial nas escolas[1].
O que fundamentou esta investigação foi o relato de um aluno negro, que
enfrentou uma situação de preconceito racial protagonizada pela diretora da
escola. Este menino foi transferido para a escola em que atuava com professora
alfabetizadora. A agressão estava presente em sua memória evocando sentimentos
de tristeza e revolta.
Na análise de resultados os participantes concordam que
existe preconceito racial na escola, um dado importante, pois as ações afirmativas
iniciam com a percepção de que a discriminação e o preconceito racial permeia
as ações no interior destas instituições.
A reflexão sobre os dados apresentados na enquete apontam
para algumas questões importantes para que a superação deste contexto de
discriminação e preconceito sejam superados. Para efetivar as mudanças necessárias em práticas pedagógicas e
realmente promover a afirmação de identidades, as ações na escola precisam
estar fundamentadas na formação continuada dos professores. Estas formações
devem estar voltadas para a pesquisa de documentos que explicitem o
contexto em que foram alicerçadas concepções racistas e preconceituosas. ,
alguns documentos como a pesquisa que teve como campo de estudo a cidade do Rio de Janeiro,
realizada pelo sociólogo Luiz Aguiar Costa Pinto, intitulada “O
Negro no Rio de Janeiro: Relações de raças numa sociedade em mudança.”[2]
[...] o preconceito e a discriminação atuam
fundamentalmente no sentido de reconduzir ao seu lugar o negro que
historicamente sai desse lugar, o lugar que tradicionalmente ocupava no sistema
de relações sociais, lugar que a ideologia do grupo socialmente dirigente e
etnicamente diferenciado considera próprio, natural, biologicamente justificado
- tão próprio, natural e biologicamente justificado quanto o seu de grupo
dominante7.
A formação de professores para as questões étnico raciais, que
deve estar presente nos cursos de formação, em formações continuadas ou em
serviço, deve possibilitar uma leitura da historicidade que deu origem à visões
discriminatórias mas também possibilitar a reflexão sobre a construção da
identidade negra e o contexto em que ela se insere, como afirma Gomes [3]:
“ Compreender a complexidade na qual a construção da identidade
negra está inserida, sobretudo quando levamos em consideração a corporeidade e
a estética, é uma das tarefas e desafios colocados para os educadores. Deveria,
também, ser uma das preocupações dos processos de formação de professores
quando estes discutem a diversidade étnico-cultural.” GOMES, 2003. P. 173,174
A formação de
professores é apenas um dos fatores para realizar mudanças de concepções e
posturas e possibilitar a afirmação da identidade negra. As ações no interior
da escola devem ter respaldo em projetos das redes de ensino, ou seja, deve ser
uma linha de ação das mantenedoras de escolas públicas, articular projetos que
visem a reflexão sobre estas questões. Neste sentido, cabe a elas, propor
formações e debates, articular com movimentos sociais a troca de informações e
estabelecer parcerias entre escola e estes movimentos organizados
para o fortalecimento de ações afirmativas.
“A sustentabilidade das experiências tem relação com fatores
inerentes às redes de ensino públicas e às próprias instituições de ensino.
Todavia, é possível afirmar que as escolas que estão desenvolvendo suas
experiências articuladas com os Núcleos de Referências das Secretarias
Municipais e Estaduais de Ensino e com os Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e
que, internamente, desenvolvem processos de planejamento que envolvem
coletivamente os professores e os gestores, tendem a produzir experiências
pedagogicamente mais significativas e sustentáveis.” .” Santana , Luz e Silva; 2013[4]
Através da formação dos professores, da articulação das
mantenedoras poderemos superar concepções e ações discriminatórias de
segregação e negação , possibilitando ações afirmativas no interior das
escolas.
“A escola pode ser considerada, então, como um dos espaços
que interferem na construção da identidade negra. O olhar lançado sobre o negro
e sua cultura, na escola, tanto pode valorizar identidades e diferenças quanto
pode estigmatizá-las, discriminá-las, segregá-las e até mesmo negá-las” GOMES, 2003. P. 170,172.[5]
[2] “O Negro no Rio de Janeiro: Relações
de raças numa sociedade em mudança.” Luiz Aguiar Costa Pinto
[3]
“Educação, identidade negra e formação de
professores/as: um olhar sobre o corpo negro e o cabelo crespo”
Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29, n.1, p. 167-182, jan./jun. 2003,
Nilma Lino Gomes
[4]
Disponível
em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602013000100008&lng=pt&nrm=iso
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