segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Refletindo sobre os desafios da Educação Inclusiva


PEAD EIXO VI

Reflexões sobre Inclusão/Exclusão
Preconceito e discriminação no contexto Escolar
Origens históricas


Refletindo sobre Educação Inclusiva


O texto apresentado por AMARAL, 1998, expõe de forma didática o surgimento de preconceitos e estigmas relativos ao aluno portador de deficiências  no contexto escolar. A autora cita entre outros processos, a patologização do desvio e a definição de estigmas; como ocorre a legitimação de preconceitos e a discriminação.

A educação formal no contexto escolar foi historicamente construída com o objetivo de padronização e de homogeneização das crianças. Esta concepção de educação da igualdade, no sentido de negação da diferença, da busca pela padronização, do homogêneo, levou muitas crianças ao fracasso escolar, pois baseava o sucesso em modelos de desempenho. Esta visão  ocasionou a culpabilização das crianças pelo insucesso na vida escolar causando altos índices de repetência e evasão nos anos 70.

Esta marca histórica da Educação, anterior a luta pela Educação Inclusiva, ainda tem suas marcas na visão de muitos professores. A educação no Brasil ao ser democratizada, levou todos à escola, mas não a preparou para receber esta demanda. Foi uma democracia de acesso, mas não de permanência ou de acolhimento.

Desta forma, temos na origem da Educação Escolar, a busca pela homogeneização, a culpabilização dos alunos pelo fracasso e a consequente busca pela medicalização como forma de superação. Faço esta retrospectiva histórica, pois percebo que os preconceitos e estigmas que são vivenciados e arraigados hoje nas escolas, têm sua origem nesta busca pela homogeneização de todos os alunos. Como se houvesse um mito de “facilidade” em educar alunos mais dóceis, com desempenho esperado pelos professores baseados em modelos de eficácia. Ou de um ideal de alunos que aprendem com mais facilidade, ou seja, exigindo um mínimo investimento do professor. AMARAL ao  expor os parâmetros utilizados para definir a diferença ou anomalia ,cita os protótipos ideologicamente construídos.  Faço uma comparação entre este mito e os protótipos ideologicamente construídos citados por AMARAL a  aproximação ou semelhança com essa idealização em sua totalidade ou particularidades é perseguida, consciente ou inconsciente por todos nós, uma vez que o afastamento dela caracteriza a diferença significativa, o desvio, a anormalidade. O fato de que muitos e muitos de nós embora não corresponde a este protótipo ideologicamente construído o utilizamos em nosso cotidiano para a categorização/ validação do outro.

Este mecanismo que ocorre em muitas escolas  legitima preconceitos e gera discriminações. AMARAL cita  Gofffman(1982) para definir estigma ( marca, sinal): estigma esse imputado aquelas pessoas  que se afastam da idealização corrente em determinado contexto.

As atitudes diante dos alunos portadores de deficiência, na maioria das vezes são as generalização indevida e correlação linear, ou seja,  transforma-se o aluno portador de deficiência na própria deficiência ou procura-se estratégias pedagógicas que tiveram eficácia com outro grupo.

No cotidiano escolar, ao atuar com alunos portadores de deficiência  percebo que realmente as grandes barreiras que preciso vencer são as atitudinais. Os alunos não são o que expressam seus laudos, um aluno não é o Transtorno Global de Desenvolvimento, ele é um aluno com habilidades e muitas possibilidades. Um aluno com Déficit Cognitivo não é o Déficit Cognitivo ele é um aluno com potencialidades e possibilidades. Desta forma, busco em minha prática pedagógica que as estratégias com alunos portadores de deficiência sejam pautadas na ação que realiza com todos os alunos da turma: investimentos em suas potencialidades.

Para finalizar esta reflexão, cito a definição de SASSAKIi sobre Inclusão , onde pontua a necessidade de mudarmos , para vencermos discriminações e preconceitos construídos em relação ao aluno portador de deficiência :

Inclusão é você mudar a sociedade, derrubar barreiras, tirar obstáculos mudar atitudes, mudar sistemas, para que qualquer pessoa,  tenha deficiência ou não, ou qualquer que seja a deficiência, possa fazer parte da sociedade, sem precisar provar nada.

  
Referências:
Micotti, M.C. O. “O ensino fundamental: políticas públicas e práticas pedagógicas”,São Paulo. Contexto,2009

AQUINO , Julio Groppa . Diferenças e preconceito na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summos, 1998




















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