PEAD EIXO VI
Reflexões sobre Inclusão/Exclusão
Preconceito
e discriminação no contexto Escolar
Origens
históricas
Refletindo sobre Educação
Inclusiva
O texto apresentado por AMARAL, 1998, expõe de forma
didática o surgimento de preconceitos e estigmas relativos ao aluno portador de
deficiências no contexto escolar. A
autora cita entre outros processos, a patologização do desvio e a definição de
estigmas; como ocorre a legitimação de preconceitos e a discriminação.
A educação formal no contexto escolar foi historicamente construída
com o objetivo de padronização e de homogeneização das crianças. Esta concepção
de educação da igualdade, no sentido de negação da diferença, da busca pela
padronização, do homogêneo, levou muitas crianças ao fracasso escolar, pois
baseava o sucesso em modelos de desempenho. Esta visão ocasionou a culpabilização das crianças pelo
insucesso na vida escolar causando altos índices de repetência e evasão nos
anos 70.
Esta marca histórica da Educação, anterior a luta pela
Educação Inclusiva, ainda tem suas marcas na visão de muitos professores. A
educação no Brasil ao ser democratizada, levou todos à escola, mas não a
preparou para receber esta demanda. Foi uma democracia de acesso, mas não de
permanência ou de acolhimento.
Desta forma, temos na origem da Educação Escolar, a busca
pela homogeneização, a culpabilização dos alunos pelo fracasso e a consequente
busca pela medicalização como forma de superação. Faço esta retrospectiva histórica,
pois percebo que os preconceitos e estigmas que são vivenciados e arraigados
hoje nas escolas, têm sua origem nesta busca pela homogeneização de todos os
alunos. Como se houvesse um mito de “facilidade” em educar alunos mais dóceis,
com desempenho esperado pelos professores baseados em modelos de eficácia. Ou
de um ideal de alunos que aprendem com mais facilidade, ou seja, exigindo um
mínimo investimento do professor. AMARAL ao
expor os parâmetros utilizados para definir a diferença ou anomalia
,cita os protótipos ideologicamente construídos. Faço uma comparação entre este mito e os
protótipos ideologicamente construídos citados por AMARAL a aproximação
ou semelhança com essa idealização em sua totalidade ou particularidades é
perseguida, consciente ou inconsciente por todos nós, uma vez que o afastamento
dela caracteriza a diferença significativa, o desvio, a anormalidade. O fato de
que muitos e muitos de nós embora não corresponde a este protótipo
ideologicamente construído o utilizamos em nosso cotidiano para a
categorização/ validação do outro.
Este mecanismo que
ocorre em muitas escolas legitima
preconceitos e gera discriminações. AMARAL cita
Gofffman(1982) para definir estigma ( marca, sinal): estigma esse imputado aquelas pessoas que se afastam da idealização corrente em
determinado contexto.
As atitudes diante
dos alunos portadores de deficiência, na maioria das vezes são as generalização
indevida e correlação linear, ou seja, transforma-se o aluno portador de deficiência
na própria deficiência ou procura-se estratégias pedagógicas que tiveram
eficácia com outro grupo.
No cotidiano escolar,
ao atuar com alunos portadores de deficiência
percebo que realmente as grandes barreiras que preciso vencer são as
atitudinais. Os alunos não são o que expressam seus laudos, um aluno não é o Transtorno
Global de Desenvolvimento, ele é um aluno com habilidades e muitas
possibilidades. Um aluno com Déficit Cognitivo não é o Déficit Cognitivo ele é
um aluno com potencialidades e possibilidades. Desta forma, busco em minha
prática pedagógica que as estratégias com alunos portadores de deficiência
sejam pautadas na ação que realiza com todos os alunos da turma: investimentos
em suas potencialidades.
Para finalizar esta
reflexão, cito a definição de SASSAKIi sobre Inclusão , onde pontua a
necessidade de mudarmos , para vencermos discriminações e preconceitos
construídos em relação ao aluno portador de deficiência :
Inclusão é você mudar a sociedade, derrubar barreiras, tirar
obstáculos mudar atitudes, mudar sistemas, para que qualquer pessoa, tenha deficiência ou não, ou qualquer que seja
a deficiência, possa fazer parte da sociedade, sem precisar provar nada.
Referências:
Micotti,
M.C. O. “O ensino fundamental: políticas públicas e práticas pedagógicas”,São
Paulo. Contexto,2009
AQUINO , Julio Groppa . Diferenças e preconceito na
escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summos, 1998
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