segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Dificuldades de aprendizagem




               
PEAD EIXO VI



Dificuldades de aprendizagem/Transtorno de aprendizagem / Deficiência Intelectual

Conceitos teóricos como fundamento para Intervencões pedagógicas



Algumas expressões que utilizamos no contexto escolar estão repletas de estereótipos e preconceitos. Algumas frases são baseadas no senso comum, fundamentam posturas e ações pedagógicas ou a falta de investimentos pedagógicos nas possibilidades e habilidades do aluno, naturalizando o fracasso escolar. Uma frase muito repetida nos corredores da escola: “ - Este aluno tem problema de aprendizagem”. “ – Ele não aprende”. O aporte teórico nos prepara para refletir sobre estes termos e expressões e instrumentalizar a ação pedagógica para que seja fundamentada nas intervenções pedagógicas eficazes. Com este objetivo, segue o conceito  de alguns autores: dificuldade de aprendizagem, transtorno de aprendizagem e deficiência intelectual.


A definição dificuldade de aprendizagem é de uso comum por professores e equipes escolares e caracteriza a não aprendizagem ou o fracasso escolar tanto de crianças como de adolescentes. É um tema de interesse de estudo de diversos profissionais interessados na busca de uma definição dos fatores que interferem diretamente no sucesso escolar1.

A dificuldade de aprendizagem é entendida como uma heterogeneidade de sintomas com uma origem neurológica ocasionando um baixo rendimento acadêmico em diversas áreas de conhecimento. Não estão incluídas deficiências motoras, sensoriais e mentais no conceito de dificuldades de aprendizagem2.


A deficiência intelectual (DI) é uma categoria diagnóstica de etiologia, caracterização e avaliação bastante complexas1. É caracterizada por limitações significativas tanto no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, que abrange uma gama de habilidades sociais e práticas cotidianas, que deve ocorrer antes dos 18 anos2.

A CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª edição)3 define o transtorno como Retardo Mental; no entanto, a CID-11 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 11ª edição) utilizará o termo Desordem do Desenvolvimento Intelectual. Como o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais)4 já se encontra em vigor e nomeia como Deficiência Intelectual, optou-se por utilizar este termo no presente trabalho.

É um dos transtornos neuropsiquiátricos mais comuns em crianças e adolescentes e sua taxa de prevalência fica entre 1% a 3% da população jovem5-7. No Brasil, estima-se que 1,6% da população seja acometida8.

A DI é conceituada como um transtorno com início no período do desenvolvimento que inclui déficits funcionais, tanto intelectuais quanto adaptativos, nos domínios conceitual, social e prático. Três critérios devem ser preenchidos: A – Déficits em funções intelectuais; B – Déficits em funções adaptativas; C – Início dos déficits intelectuais e adaptativos durante o período do desenvolvimento4.




O transtorno de aprendizagem não deve ser utilizado como sinônimo de dificuldade de aprendizagem, uma vez que a dificuldade é um termo mais global e abrangente, com causas relacionadas com o sujeito que aprende, com os conteúdos pedagógicos, com o professor, com os métodos de ensino e, até mesmo, com o ambiente físico e social da escola; enquanto que o transtorno de aprendizagem se refere a um grupo de dificuldades mais difíceis de serem identificadas, mais específicas e pontuais, caracterizadas pela presença de uma disfunção neurológica, que é responsável pelo insucesso na escrita, na leitura e no cálculo matemático3,4.

Assim, o transtorno de aprendizagem pode ser caracterizado pela presença de disfunção neurológica ou hereditária, que é responsável pela alteração do processamento cognitivo e da linguagem, causada por um funcionamento cerebral atípico. Como consequência dessa disfunção, a forma como crianças com transtorno de aprendizagem processam e adquirem informações é diferente do funcionamento típico de crianças sem dificuldades em fase de aprendizagem escolar. Sendo assim, o transtorno de aprendizagem pode se manifestar nas áreas acadêmicas que necessitam de decodificação ou identificação de palavras, como leitura, compreensão de leitura, raciocínio matemático, atividades de soletração, escrita de palavras e textos.





[1]  .Avaliação de crianças com indicação de dificuldades de aprendizagem pelo instrumento NEUPSILIN-Inf,Ariane Bizzarri Costa Pires1; Adriana Nobre de Paula Simão2 Artigo Original - Ano 2017 - Volume 34 - Edição 104

[2] Avaliação de preditores de risco para deficiência intelectual,Erlaine Chaves Machado Vieira1; Silvyo David Araújo Giffoni2. Artigo Original - Ano 2017 - Volume 34 - Edição 104  


[3] Cláudia da SilvaI; Simone Aparecida CapelliniII, “Desempenho de escolares com e sem transtorno de aprendizagem em leitura, escrita, consciência fonológica, velocidade de processamento e memória de trabalho fonológica”. Rev. psicopedag. vol.30 no.91 São Paulo  2013

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