PEAD EIXO VI
Dificuldades de aprendizagem/Transtorno de
aprendizagem / Deficiência Intelectual
Conceitos teóricos como fundamento para Intervencões
pedagógicas
Algumas expressões
que utilizamos no contexto escolar estão repletas de estereótipos e preconceitos.
Algumas frases são baseadas no senso comum, fundamentam posturas e ações pedagógicas
ou a falta de investimentos pedagógicos nas possibilidades e habilidades do
aluno, naturalizando o fracasso escolar. Uma frase muito repetida nos
corredores da escola: “ - Este aluno tem
problema de aprendizagem”. “ – Ele não
aprende”. O aporte teórico nos prepara para refletir sobre estes termos e
expressões e instrumentalizar a ação pedagógica para que seja fundamentada nas intervenções
pedagógicas eficazes. Com este objetivo, segue o conceito de alguns autores: dificuldade de
aprendizagem, transtorno de aprendizagem e deficiência intelectual.
A definição dificuldade de aprendizagem é
de uso comum por professores e equipes escolares e caracteriza a não
aprendizagem ou o fracasso escolar tanto de crianças como de adolescentes. É um
tema de interesse de estudo de diversos profissionais interessados na busca de
uma definição dos fatores que interferem diretamente no sucesso escolar1.
A dificuldade de aprendizagem é entendida
como uma heterogeneidade de sintomas com uma origem neurológica ocasionando um
baixo rendimento acadêmico em diversas áreas de conhecimento. Não estão incluídas
deficiências motoras, sensoriais e mentais no conceito de dificuldades de
aprendizagem2.
A deficiência intelectual (DI) é uma
categoria diagnóstica de etiologia, caracterização e avaliação bastante
complexas1. É caracterizada por limitações significativas tanto no
funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, que abrange uma gama
de habilidades sociais e práticas cotidianas, que deve ocorrer antes dos 18
anos2.
A CID-10 (Classificação Estatística
Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª edição)3
define o transtorno como Retardo Mental; no entanto, a CID-11 (Classificação
Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 11ª
edição) utilizará o termo Desordem do Desenvolvimento Intelectual. Como o DSM-5
(Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais)4 já se
encontra em vigor e nomeia como Deficiência Intelectual, optou-se por utilizar
este termo no presente trabalho.
É um dos transtornos neuropsiquiátricos
mais comuns em crianças e adolescentes e sua taxa de prevalência fica entre 1%
a 3% da população jovem5-7. No Brasil, estima-se que 1,6% da
população seja acometida8.
A DI é conceituada como um transtorno com
início no período do desenvolvimento que inclui déficits funcionais, tanto
intelectuais quanto adaptativos, nos domínios conceitual, social e prático.
Três critérios devem ser preenchidos: A – Déficits em funções intelectuais; B –
Déficits em funções adaptativas; C – Início dos déficits intelectuais e
adaptativos durante o período do desenvolvimento4.
O
transtorno de aprendizagem não deve ser utilizado como sinônimo de dificuldade
de aprendizagem, uma vez que a dificuldade é um termo mais global e abrangente,
com causas relacionadas com o sujeito que aprende, com os conteúdos
pedagógicos, com o professor, com os métodos de ensino e, até mesmo, com o
ambiente físico e social da escola; enquanto que o transtorno de aprendizagem
se refere a um grupo de dificuldades mais difíceis de serem identificadas, mais
específicas e pontuais, caracterizadas pela presença de uma disfunção
neurológica, que é responsável pelo insucesso na escrita, na leitura e no
cálculo matemático3,4.
Assim,
o transtorno de aprendizagem pode ser caracterizado pela presença de disfunção
neurológica ou hereditária, que é responsável pela alteração do processamento
cognitivo e da linguagem, causada por um funcionamento cerebral atípico. Como
consequência dessa disfunção, a forma como crianças com transtorno de
aprendizagem processam e adquirem informações é diferente do funcionamento
típico de crianças sem dificuldades em fase de aprendizagem escolar. Sendo
assim, o transtorno de aprendizagem pode se manifestar nas áreas acadêmicas que
necessitam de decodificação ou identificação de palavras, como leitura,
compreensão de leitura, raciocínio matemático, atividades de soletração,
escrita de palavras e textos.
[1] .Avaliação de crianças com indicação de
dificuldades de aprendizagem pelo instrumento NEUPSILIN-Inf,Ariane Bizzarri
Costa Pires1; Adriana Nobre de Paula Simão2 Artigo Original - Ano 2017 - Volume 34 - Edição 104
[2] Avaliação de preditores de risco para deficiência intelectual,Erlaine Chaves Machado Vieira1; Silvyo David Araújo Giffoni2. Artigo Original - Ano 2017 - Volume 34 - Edição 104
[3]
Cláudia da SilvaI; Simone Aparecida CapelliniII, “Desempenho
de escolares com e sem transtorno de aprendizagem em leitura, escrita,
consciência fonológica, velocidade de processamento e memória de trabalho
fonológica”. Rev. psicopedag. vol.30 no.91 São
Paulo 2013
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