sexta-feira, 22 de julho de 2016

Música na escola





   


São comuns as cantorias em minha sala de aula. Quem passa nos corredores escuta as vozes em coro: Lá vem o pato, pata aqui, pata acolá”. Ou os pais que esperam as crianças no final da tarde  escutam: “Escravos de Jó, jogavam Caxangá.” Sim, nós cantamos. E gostamos de cantar. Neste semestre a Interdisciplina Música na escola, trouxe a reflexão sobre a importância de cantar, das brincadeiras sonoras, o valor de escutar a própria voz.
Pela escuta do som das vozes, das diversas possibilidades sonoras produzidas pela fala, pelas declamações e canto surge uma possibilidade imensa de atividades em sala de aula. No artigo Minha voz, tua voz falando e cantando na Educação Básica, a autora enumera várias possibilidades de trabalho pedagógico em sala de aula:

Fale, fale de diferentes maneiras. Fale mais forte e mais fraco. Sussurre, murmure. Grite. Fale uma mesma palavra ou frase de diferentes maneiras. Invente frases engraçadas para serem faladas,. Fale rapidamente, lentamente. Invente. Crie outras formas de brincar com o som de voz de seus alunos e alunas. Escolha um pequeno poema e o interprete com as muitas possibilidades da voz. Faça o mesmo criando seu próprio poema. Incentive sua turma a criar. Não se esqueça de se ouvir. BELLOCHIO, 2011

Os encontros presenciais possibilitaram a vivência destas possibilidades de atividades envolvendo sonoridade. As atividades propostas foram direto, sem escala, dos encontros para a sala de aula:
- Vamos dizer esta frase com ênfase no ponto de exclamação e agora como seria com ponto de interrogação.
A partir destas práticas, ocorre a consciência da tonalidade da voz. Sabemos que a criança precisa da consciência fonológica em sua construção de hipóteses da escrita. Para perceber o som das letras, precisa atenção à sonoridade, às rimas, as aliterações. E possibilitamos isto com brincadeiras sonoras: recitar poesias enfatizando as rimas, bater palmas nas sílabas fortes, fazer brincadeiras com os sons dos sinais de pontuação, ler uma poesia, enfatizando os sons pontuados pelas exclamações:” - Brancas azuis amarelas e pretas. Brincam no ar as belas borboletas... E as amarelinhas, são tão bonitinhas! E as pretas então! Oh! Que escuridão!”. Leitura e declamação criando ritmos próprios e construindo inflexões de voz. Leituras com ênfase na sonoridade, Brincadeiras com palavras que possibilitam ao aluno construir hipóteses sobre a linguagem oral e escrita.” - Escravos de Jó, jogavam caxangá. Tira, bota. Deixa ficar”. O trabalho com as poesias de Vinícius de Moraes marcaram fortemente a musicalidade das aulas. A leitura das poesias, a expressividade dos sons das rimas, a sonoridade das músicas são um ótimo recurso para a alfabetização e letramento:” Passa tempo tic-tac. Tic-tac, passa hora”.A sensibilização na música de Adriana Calcanhoto: - Procurando bem todo mundo tem pereba. Marca de bexiga ou vacina. Só a bailarina que não tem.
Com as atividades embasadas na Interdisciplina e implementadas em aula as aprendizagens foram bastante significativas e a maneira de conduzir os encontros  presenciais pelos professores , uma demonstração de como as aulas com sonoridade podem ser lúdicas e prazerosas.

Referências:
BELLOCHIO, C. R. Minha voz, tua voz: falando e cantando na sala de aula. Música na Educação Básica, v. 3, n. 3, p. 56-67, 2011.


MAFFIOLETTI, Leda de Albuquerque. Práticas Musicais na Escola Infantil. In.: CRAIDY, Carmem; KAERCHER, Gládis (Org.). Educação Infantil: Pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001.



Poesia: O pato. Vinícius de Moraes. Rio de Janeiro,1970. Disponível em :

Escravos de Jó, jogavam caxangá. Disponível em :



Figura 01 retirada de :


Nenhum comentário:

Postar um comentário