Música
na escola
São comuns as cantorias em
minha sala de aula. Quem passa nos corredores escuta as vozes em coro: “ Lá vem o pato, pata aqui, pata acolá”.
Ou os pais que esperam as crianças no final da tarde escutam:
“Escravos de Jó, jogavam Caxangá.” Sim, nós cantamos. E gostamos de cantar.
Neste semestre a Interdisciplina Música na escola, trouxe a reflexão sobre a
importância de cantar, das brincadeiras sonoras, o valor de escutar a própria
voz.
Pela escuta do som das
vozes, das diversas possibilidades sonoras produzidas pela fala, pelas
declamações e canto surge uma possibilidade imensa de atividades em sala de
aula. No artigo Minha voz, tua voz falando e cantando na Educação Básica, a
autora enumera várias possibilidades de trabalho pedagógico em sala de
aula:
Fale,
fale de diferentes maneiras. Fale mais forte e mais fraco. Sussurre, murmure.
Grite. Fale uma mesma palavra ou frase de diferentes maneiras. Invente frases
engraçadas para serem faladas,. Fale rapidamente, lentamente. Invente. Crie
outras formas de brincar com o som de voz de seus alunos e alunas. Escolha um
pequeno poema e o interprete com as muitas possibilidades da voz. Faça o mesmo
criando seu próprio poema. Incentive sua turma a criar. Não se esqueça de se
ouvir.
BELLOCHIO, 2011
Os encontros presenciais possibilitaram
a vivência destas possibilidades de atividades envolvendo sonoridade. As
atividades propostas foram direto, sem escala, dos encontros para a sala de
aula:
- Vamos dizer esta frase com ênfase no
ponto de exclamação e agora como seria com ponto de interrogação.
A partir destas práticas,
ocorre a consciência da tonalidade da voz. Sabemos que a criança precisa da
consciência fonológica em sua construção de hipóteses da escrita. Para perceber
o som das letras, precisa atenção à sonoridade, às rimas, as aliterações. E
possibilitamos isto com brincadeiras sonoras: recitar poesias enfatizando as
rimas, bater palmas nas sílabas fortes, fazer brincadeiras com os sons dos
sinais de pontuação, ler uma poesia, enfatizando os sons pontuados pelas
exclamações:” - Brancas azuis
amarelas e pretas. Brincam no ar as belas borboletas... E as amarelinhas, são
tão bonitinhas! E as pretas então! Oh! Que
escuridão!”. Leitura e declamação criando
ritmos próprios e construindo inflexões de voz. Leituras com ênfase na
sonoridade, Brincadeiras com palavras que possibilitam ao aluno construir
hipóteses sobre a linguagem oral e escrita.” - Escravos de Jó, jogavam caxangá. Tira, bota. Deixa ficar”. O
trabalho com as poesias de Vinícius de Moraes marcaram fortemente a
musicalidade das aulas. A leitura das poesias, a expressividade dos sons das
rimas, a sonoridade das músicas são um ótimo recurso para a alfabetização e
letramento:” Passa tempo tic-tac. Tic-tac, passa hora”.A sensibilização na
música de Adriana Calcanhoto: - Procurando
bem todo mundo tem pereba. Marca de bexiga ou vacina. Só a bailarina que não
tem.
Com as atividades
embasadas na Interdisciplina e implementadas em aula as aprendizagens foram
bastante significativas e a maneira de conduzir os encontros presenciais
pelos professores , uma demonstração de como as aulas com sonoridade podem ser
lúdicas e prazerosas.
Referências:
BELLOCHIO, C. R. Minha voz, tua voz: falando e cantando na sala de aula. Música na Educação Básica, v. 3, n. 3, p. 56-67, 2011.
MAFFIOLETTI, Leda de Albuquerque. Práticas Musicais na Escola Infantil. In.: CRAIDY, Carmem; KAERCHER, Gládis (Org.). Educação Infantil: Pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001.
Poesia:
O pato. Vinícius de Moraes. Rio de Janeiro,1970. Disponível em :
Escravos
de Jó, jogavam caxangá. Disponível em :
Figura 01 retirada de :


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