sábado, 23 de julho de 2016

Para gostar de ler 

Figura 01 Menina lendo.


Agora Deus passeava pelos céus todo sorrisos, porque afinal, sabe, Deus não se sentia mais só. Não eram as histórias que estavam faltando na criação, mas sim, e de modo mais específico, os humanos expressivos que pudessem contá-las. ESTÉS, 1995, página 19

Uma pergunta que mobiliza os professores do Ensino Fundamental: como fazer a criança gostar de ler? Como atrair a criança para a leitura? Encontrei uma citação de Rubem Alves em entrevista à Viviane Mosé , ele afirma o seguinte:


Lá na Escola da Ponte encontrei um lugar em que estava escrito: “Direitos e deveres das crianças em relação aos livros.” O primeiro direito me deu um susto tão grande, porque era tão óbvio. E eu gosto tanto desse que nem li os outros. O direito é o seguinte: nenhuma criança deve ler um livro de que não gosta, porque, se você lê um livro de que não gosta o que vai acontecer? Você não vai aprender o livro, vocês vão odiar o livro. Você vai aprender para responder na prova, mas vai esquecer logo, você não vai aprender a coisa importante, que é amar o livro. As pessoas me perguntam o que fazer para criar o hábito da leitura. Nada. Hábito é cortar as unhas, escovar os dentes, tomar banho. São automatismos. E a leitura nunca pode ser um exercício de automatismos. Em relação aos livros, você tem que criar o amor, a leitura tem de ser um exercício de prazer, de gozo. RUBEM ALVES.

Começo o texto com esta citação, muito extensa dirão alguns, mas não quis perder nada do seu conteúdo. Pois é nisto que acredito. Para gostar de ler é preciso encantar as crianças. Através de estratégias de leitura conduzi-los ao encantamento das palavras.
Para este desafio podemos, como pais, começar a valorizar uma atividade muito simples, contar histórias aos filhos ainda pequenos. Aquele momento antes de dormir em que é preciso silenciar, voltar à calma é um ótimo convite à leitura. Algumas crianças muito pequenas ficam assistindo TV até altas horas da noite. Se tivermos a calma necessária para pegar um livro e contar algumas histórias. Esta ação vai aos poucos, introduzindo a criança neste encantamento das narrativas.
Como professores, também esta simples ação, contar histórias. Mas em primeiro lugar escolher histórias que nos tocam que tem um significado. Assim quando contarmos a nossa voz estará contaminada pela nossa convicção e encantamento. E para a contação utilizar o recurso de nossa voz, de nossas expressões e gestos. Assim ao narrar um avião que decola, nossos braços flutuam no ar, ou uma cobra que rasteja, os braços ondulam na mesa. E a voz vai acompanhando as modulações da história: o gigante fala com sua voz potente e a bruxa sorri com riso estridente, e vamos com as entonações marcando as falas e narrativas. E acompanhando com  estes movimentos a expressão do rosto que hora expressa o espanto da menina com olhos arregalados e boca aberta, hora acompanha o movimento do corpo que pula de alegria. Este é um recurso que todos temos, basta colocar em ação, os alunos vão acompanhar sua narrativa com olhos atentos e muitos sorrisos.
            Para gostar de ler a criança precisa ouvir muitas histórias e encantar-se com elas.

Referências:
ESTÉS, Clarissa Pinkolas, O jardineiro que tinha fé. Uma fábula sobre o que não pode morrer nunca, as histórias. Rio de Janeiro, ROCCO,1996.


        MOSÉ, Viviane.A escola e os desafios contemporâneos. Org. e apresentação Viviane Mosé- 5ª ed. –Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,2015.


Nenhum comentário:

Postar um comentário