Para gostar de ler
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| Figura 01 Menina lendo. |
Agora
Deus passeava pelos céus todo sorrisos, porque afinal, sabe, Deus não se sentia
mais só. Não eram as histórias que estavam faltando na criação, mas sim, e de
modo mais específico, os humanos expressivos que pudessem contá-las. ESTÉS, 1995,
página 19
Uma pergunta que mobiliza os professores do Ensino Fundamental: como fazer a criança gostar de ler? Como atrair a criança para a leitura? Encontrei uma citação de Rubem Alves em entrevista à Viviane Mosé , ele afirma o seguinte:
Lá
na Escola da Ponte encontrei um lugar em que estava escrito: “Direitos e
deveres das crianças em relação aos livros.” O primeiro direito me deu um susto
tão grande, porque era tão óbvio. E eu gosto tanto desse que nem li os outros.
O direito é o seguinte: nenhuma criança deve ler um livro de que não gosta,
porque, se você lê um livro de que não gosta o que vai acontecer? Você não vai
aprender o livro, vocês vão odiar o livro. Você vai aprender para responder na
prova, mas vai esquecer logo, você não vai aprender a coisa importante, que é
amar o livro. As pessoas me perguntam o que fazer para criar o hábito da
leitura. Nada. Hábito é cortar as unhas, escovar os dentes, tomar banho. São
automatismos. E a leitura nunca pode ser um exercício de automatismos. Em
relação aos livros, você tem que criar o amor, a leitura tem de ser um
exercício de prazer, de gozo. RUBEM ALVES.
Começo o texto com esta citação, muito extensa dirão alguns, mas não quis perder nada do seu conteúdo. Pois é nisto que acredito. Para gostar de ler é preciso encantar as crianças. Através de estratégias de leitura conduzi-los ao encantamento das palavras.
Para este desafio podemos, como pais, começar a valorizar uma atividade muito simples, contar histórias aos filhos ainda pequenos. Aquele momento antes de dormir em que é preciso silenciar, voltar à calma é um ótimo convite à leitura. Algumas crianças muito pequenas ficam assistindo TV até altas horas da noite. Se tivermos a calma necessária para pegar um livro e contar algumas histórias. Esta ação vai aos poucos, introduzindo a criança neste encantamento das narrativas.
Como professores, também esta simples ação, contar histórias. Mas em primeiro lugar escolher histórias que nos tocam que tem um significado. Assim quando contarmos a nossa voz estará contaminada pela nossa convicção e encantamento. E para a contação utilizar o recurso de nossa voz, de nossas expressões e gestos. Assim ao narrar um avião que decola, nossos braços flutuam no ar, ou uma cobra que rasteja, os braços ondulam na mesa. E a voz vai acompanhando as modulações da história: o gigante fala com sua voz potente e a bruxa sorri com riso estridente, e vamos com as entonações marcando as falas e narrativas. E acompanhando com estes movimentos a expressão do rosto que hora expressa o espanto da menina com olhos arregalados e boca aberta, hora acompanha o movimento do corpo que pula de alegria. Este é um recurso que todos temos, basta colocar em ação, os alunos vão acompanhar sua narrativa com olhos atentos e muitos sorrisos.
Para gostar de ler a criança precisa ouvir muitas histórias e encantar-se com elas.
Referências:
ESTÉS, Clarissa Pinkolas, O jardineiro que tinha fé. Uma fábula sobre o que não pode morrer nunca, as histórias. Rio de Janeiro, ROCCO,1996.
MOSÉ, Viviane.A escola e os desafios contemporâneos. Org. e apresentação Viviane Mosé- 5ª ed. –Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,2015.
MOSÉ, Viviane.A escola e os desafios contemporâneos. Org. e apresentação Viviane Mosé- 5ª ed. –Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,2015.
Figura 01. Disponível em http://www.vaiserrimando.com.br/2013/11/21/lei-ensino-cultura-negra-escolas

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