Aprendizagens em construção
pead 2014/2019
Para gostar de ler/ leitura
do mundo
Publiquei
no BLOG em 23 de julho de 2016, postagem sobre a importância de selecionar os
livros de literatura infantil para contação de histórias, tendo como critério
os estereótipos e verdades que afirmam. Segue LINK abaixo:
São inúmeras as
possibilidades e estratégias para explorar a leitura em sala de aula explorando
os diferentes gêneros: Contos de fadas, poesias, lendas, parlendas, fábulas,
trava-línguas. A literatura infantil é constante em turmas dos Ciclos inicias
de Alfabetização. Mas antes de investigar as possibilidades de atividades que a
literatura possibilita, é necessário analisar a função da literatura como
espaço de expressão da subjetividade do aluno e sua função como leitura crítica
do mundo.
Quando coloco o aluno em contato com uma narrativa, seja através
de um Filme, teatro, declamação de uma poesia, música ou de uma brincadeira
cantada, ao escutar a história, o aluno através do uso da fantasia e
imaginação, extrapola o significado imediato. Ele reconhece o personagem a
partir de sua subjetividade, ou seja, reconhece-se nele e pode ali resolver e
elaborar seus conflitos e medos, superar alguma situação de existência que
esteja vivenciando, ter a esperança de que a solução é possível. Como afirmam
os autores Diana Corso e Mario Corso, a criança se apropria da fantasia, para
fazer histórias na medida de sua necessidade.
Os pequenos pensam através de histórias, eles
encontram na ficção situações e personagens que ilustram suas questões e seus
impasses existenciais. A criança não só entra na fantasia proposta, ela se
apropria da fantasia para seu uso particular, recorta, monta, cola, inventa
partes, tudo para fazer histórias na medida da sua necessidade. A ficção dispõe
elementos para o uso da imaginação. Seu manejo é lúdico, mas sua função
ultrapassa a brincadeira, ela está, ao seu modo, compreendendo, elaborando,
resolvendo pendências. CORSO, Diana, CORSO, Mario. 2009
Ao selecionar o material de leitura precisamos refletir sobre os
títulos para estas atividades. Que conceitos e preconceitos eles supõem, ou
seja, que valores estas leituras estão preconizando. Que estereótipos estão
enfatizando e reforçando como verdadeiros.
Quem
conta um conto, mais do que contar um conto reforça ou questiona estereótipos,
crenças e verdades do senso comum. Quando lemos para as crianças ou
proporcionamos aos alunos materiais de leituras, estamos propondo uma leitura
que vai além do enredo da história, propomos uma leitura de mundo e dos valores
que a cultura impõe.
Através
das narrativas em prosa ou poesia a criança vai entrar em contato com visões de
mundo, e podemos através do material que selecionamos alargar sua visão e
ampliar seus horizontes com novas possibilidades de convivência com as
diferenças, ética e respeito á singularidade de cada pessoa, ou conformá-los e
moldá-los a padrões reacionários e excludentes.
No livro Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire
ao referir-se aos saberes necessários à prática educativa crítica , cita entre
eles a rejeição a qualquer forma de discriminação:
Faz parte
igualmente do pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de
discriminação. A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a
substantividade de ser humano e nega radicalmente a democracia.FREIRE,1996.
P.40,41
Fanny Abramovich em seu Livro: “ Literatura
Infantil: Gostosuras e bobices”, cita um texto de Dom Hélder Câmara em que ele
faz, segundo a autora, uma reivindicação de condições para que haja uma
ampliação de visão que a criança tem do mundo e pelas quais, segundo ela,
deveriam se responsabilizar todos aqueles que se preocupam com a formação do
ser humano.
Se eu pudesse
Dava um globo
terrestre
A cada
criança...
Se possível até
um globo
luminoso,
na esperança
de alargar ao
máximo
a visão infantil
e de ir
despertando
interesse e amor
por todos os
Povos,
todas as Raças,
todas as
Línguas,
todas as
Religiões!...
Referências:
1.
BELINSK, Tatiana.Coletânea de textos, PORTAL MEC.
Programa de professores alfabetizadores. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Profa/col_3.pdf
2. CORSO,
Diana; Corso, Mario. Por que as crianças precisam de histórias?
Revista Mente &Cérebro,ano XVI, número 197. 2009. Disponível em http://www.marioedianacorso.com/por-que-as-criancas-precisam-de-historiasAcessado
em 28 de julho de 2016.
3.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia:
saberes necessários à prática docente. 6 ed. São Paulo: Paz e terra, 1997
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