sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

SI VIII Aprendizagens em construção REPOST 07


Aprendizagens em construção

pead 2014/2019
Para gostar de ler/  leitura do mundo


Publiquei no BLOG em 23 de julho de 2016, postagem sobre a importância de selecionar os livros de literatura infantil para contação de histórias, tendo como critério os estereótipos e verdades que afirmam. Segue LINK abaixo:

            São inúmeras as possibilidades e estratégias para explorar a leitura em sala de aula explorando os diferentes gêneros: Contos de fadas, poesias, lendas, parlendas, fábulas, trava-línguas. A literatura infantil é constante em turmas dos Ciclos inicias de Alfabetização. Mas antes de investigar as possibilidades de atividades que a literatura possibilita, é necessário analisar a função da literatura como espaço de expressão da subjetividade do aluno e sua função como leitura crítica do mundo.
Quando coloco o aluno em contato com uma narrativa, seja através de um Filme, teatro, declamação de uma poesia, música ou de uma brincadeira cantada, ao escutar a história, o aluno através do uso da fantasia e imaginação, extrapola o significado imediato. Ele reconhece o personagem a partir de sua subjetividade, ou seja, reconhece-se nele e pode ali resolver e elaborar seus conflitos e medos, superar alguma situação de existência que esteja vivenciando, ter a esperança de que a solução é possível. Como afirmam os autores Diana Corso e Mario Corso, a criança se apropria da fantasia, para fazer histórias na medida de sua necessidade.
Os pequenos pensam através de histórias, eles encontram na ficção situações e personagens que ilustram suas questões e seus impasses existenciais. A criança não só entra na fantasia proposta, ela se apropria da fantasia para seu uso particular, recorta, monta, cola, inventa partes, tudo para fazer histórias na medida da sua necessidade. A ficção dispõe elementos para o uso da imaginação. Seu manejo é lúdico, mas sua função ultrapassa a brincadeira, ela está, ao seu modo, compreendendo, elaborando, resolvendo pendências. CORSO, Diana, CORSO, Mario. 2009
Ao selecionar o material de leitura precisamos refletir sobre os títulos para estas atividades. Que conceitos e preconceitos eles supõem, ou seja, que valores estas leituras estão preconizando. Que estereótipos estão enfatizando e reforçando como verdadeiros.
Quem conta um conto, mais do que contar um conto reforça ou questiona estereótipos, crenças e verdades do senso comum. Quando lemos para as crianças ou proporcionamos aos alunos materiais de leituras, estamos propondo uma leitura que vai além do enredo da história, propomos uma leitura de mundo e dos valores que a cultura impõe.
Através das narrativas em prosa ou poesia a criança vai entrar em contato com visões de mundo, e podemos através do material que selecionamos alargar sua visão e ampliar seus horizontes com novas possibilidades de convivência com as diferenças, ética e respeito á singularidade de cada pessoa, ou conformá-los e moldá-los a padrões reacionários e excludentes.
 No livro Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire ao referir-se aos saberes necessários à prática educativa crítica , cita entre eles a rejeição a qualquer forma de discriminação:
Faz parte igualmente do pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação. A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade de ser humano e nega radicalmente a democracia.FREIRE,1996. P.40,41

 Fanny Abramovich em seu Livro: “ Literatura Infantil: Gostosuras e bobices”, cita um texto de Dom Hélder Câmara em que ele faz, segundo a autora, uma reivindicação de condições para que haja uma ampliação de visão que a criança tem do mundo e pelas quais, segundo ela, deveriam se responsabilizar todos aqueles que se preocupam com a formação do ser humano.
Se eu pudesse
Dava um globo terrestre
A cada criança...
Se possível até
um globo luminoso,
na esperança
de alargar ao máximo
a visão infantil
e de ir despertando
interesse e amor
por todos os Povos,
todas as Raças,
todas as Línguas,
todas as Religiões!...

Referências:

1.       BELINSK, Tatiana.Coletânea de textos, PORTAL MEC. Programa de professores alfabetizadores. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Profa/col_3.pdf

2.       CORSO, Diana; Corso, Mario. Por que as crianças precisam de histórias? Revista Mente &Cérebro,ano XVI, número 197.  2009. Disponível em http://www.marioedianacorso.com/por-que-as-criancas-precisam-de-historiasAcessado em 28 de julho de 2016.

3.      FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática docente. 6 ed. São Paulo: Paz e terra, 1997


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